29 de out de 2015

Três Dias Para Sempre, de Janda Montenegro




Histórias românticas são clássicas na literatura. Os enredos que todos conhecemos desde sempre, com um jovem casal que se conhece e passa por algumas dificuldades até o derradeiro (quase sempre) final feliz faz a alegria dos leitores e dos espectadores de filmes. E a graça é exatamente acompanhar essas aventuras e desventuras amorosas, muitas vezes conhecendo de cor o enredo. E Três Dias Para Sempre, da autora carioca Janda Montenegro, bebe exatamente dessa fonte, em um romance nacional, desenrolado nos cenários de uma mágica Rio de Janeiro.

Lançado pela Editora Novas Páginas, braço da Novo Conceito direcionada para autores nacionais, Três Dias Para Sempre é focado em um público específico e, certamente, não o decepcionará. As mocinhas românticas vão suspirar com a trama, pensando em amores vividos e sonhando com uma história de amor que ainda não veio. Ou seja, tiro certeiro em um alvo um tanto quanto garantido.

A trama é quase simplória e abarrotada de clichês: Line é uma baiana que, depois de abandonada no altar no dia do casamento por seu ex-futuro-marido carioca, acabou ficando na cidade graças à caridade da equipe do hotel em que se hospedou para a preparação de seu casamento. Deprimida e arrasada, a jovem presta pequenos favores ao hotel, como fazer serviços de transfer, buscando e levando hóspedes do hotel, em Copacabana, até os aeroportos da cidade. É no retorno de um desses transfers, em pleno dia de Ano Novo, que Line conhece dois rapazes de Brasília e se encanta instantaneamente por um deles, Teo. E é sobre os três dias desses dois jovens juntos pelo Rio de Janeiro a história do livro.

Janda Montenegro é boa em narrar a trama que pretende contar. Os capítulos são bem escritos, com a dose necessária de clichês que a trama pede e que faz a alegria dos fãs do gênero. Mas, preciso ser honesto, a história tem um problema muito sério, pelo menos para mim: sua protagonista.

Sério, Line é uma mulher que faria qualquer feminista pessoa minimamente normal querer vomitar. Suas crenças em amor são ridículas, a ponto de procurar um provedor no primeiro jovem que conhece depois de ser largada no altar (e eu acho que entendo bem o motivo do noivo a ter largado; tô pra ver mulher mais chata), e é difícil acompanhar e ser empático a alguém tão idiota como ela. É difícil para mim, que tenho amigas inteligentes e bem resolvidas, acreditar que mulheres como Line ainda existem por aí. Espero que não sejam muitas, sinceramente.

Ok, eu posso ser crítico, mas essa é a verdade: é difícil torcer por alguém que eu desprezo. E foi o que aconteceu com a protagonista dessa história. Sem contar que Teo, o mocinho, é um babaca de marca maior. E Line se "apaixonar" por ele no primeiro dia, a ponto de imaginar como seriam os filhos dos dois (ZZZzzzzzz) torna ainda mais absurda e ridícula a "história de amor" do casal.

Com um final que tenta ser impactante (sinto dizer, não é, e eu ri dele), Três Dias Para Sempre pode até ter um público que abraçará essa história. Não foi o que aconteceu comigo.

Autora: Janda Montenegro
Páginas: 272

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Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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