12 de nov de 2015

#BaúPop: Direito de Amar





Um homem com uma dor é muito mais elegante? 

No filme Direito de Amar (A Single Man, no original), de 2009, a resposta é sim. Em seu primeiro longa-metragem, o estilista Tom Ford, aqui diretor, nos entrega uma história impecável, ao menos esteticamente. Tudo em Direito de Amar, da geladeira da cozinha ao abajur do quarto; dos acessórios ao figurino; dos tons pastéis e rosados da fotografia aos fascinantes closes, é uma perfeição nos mínimos detalhes.

O elenco, encabeçado pelo sempre charmoso Colin Firth, indicado ao Oscar de Melhor Ator 2010, por esta interpretação sublime, é pura exuberância. Julianne Moore, com seus belos olhos verdes, meticulosamente maquiados à perfeição egípcia; Ginnifer Goodwin, como uma pacata e simpática dona-de-casa, vizinha do protagonista; a novata Aline Weber, modelo brasileira que é praticamente um clone de Brigitte Bardot em seus áureos tempos de ninfeta (não diz uma palavra, mas inebria a todos com sua estonteante beleza e seus olhar fulminante) e Matthew Goode, como o doce e amável companheiro de Colin, exalam uma graciosidade que nos faz submergir em uma história pouco original, mas profundamente sensível.


Acompanha-se então as supostas últimas 24 horas de um homem que acorda decidido a tirar a própria vida. Na pele de George Falconer, um sofisticado professor universitário, Colin Firth nos envolve em uma dilacerante, porém discreta dor, ao traduzir em uma delicada interpretação todo o sofrimento de um homem que perde seu companheiro, com quem viveu por 16 anos, num trágico acidente, sem ter ao menos o direito de viver seu luto publicamente, em plena década de 60.

O estilista Tom Ford, estreante atrás das câmeras, fez um filme bonito e sutil. Infelizmente, porém, tanto esmero estético parece mais um artifício para distrair a atenção de uma trama pouco consistente. Ainda assim, eu gostei e recomendo. Para pessoas de bom gosto, com olhar apurado e alma sensível.

Resumindo o filme em apenas uma frase, tirada do próprio: 
"Às vezes, até nas coisas mais horrorosas, há um ponto de beleza." 
Aqui há muitos pontos de beleza.

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Leandro Faria  
Esdras Bailone: leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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