17 de nov de 2015

Beira-Mar, de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon





Sabemos que a produção cinematográfica brasileira vai muito além do que estamos habituados a assistir, normalmente com filmes produzidos no eixo Rio - São Paulo, com muita boa vontade estendendo isso ao restante do Sudeste. São de fora dessa região produções elogiadas recentemente pela crítica, como Tatuagem ou o supervalorizado Cine Holliúdy. Por isso, quando li sobre Beira-Mar, um filme gaúcho, com elenco de lá e tendo como cenário o Rio Grande do Sul, fiquei bastante curioso com o resultado, principalmente quando descobri um pouco mais sobre a temática do filme. 

Dirigido em dupla por Filipe Matzembacher e Mateus Almada, Beira-Mar é uma produção simples, que lembra bem pouco dos filmes nacionais que normalmente chegam ao grande público, assemelhando-se mais às produções argentinas, talvez pela proximidade de seu estado de origem com o país vizinho. Com longas tomadas e muito silêncio, o filme é excessivamente lento, já que senti dificuldade até mesmo para começar a embarcar na história de Tomás e Martin, os dois protagonistas do longa. Entretanto, isso não é um demérito do filme; é apenas diferente do que estamos acostumados a assistir. 

A história é realmente simples: dois jovens, Martin e Tomás, saem de Porto Alegre e vão até uma cidade à beira-mar, no litoral do Rio Grande do Sul, depois que o avô de Martin morre e seu pai precisa de sua ajuda para resolver algumas pendências com a família. Hospedados em uma casa em frente à praia, os dois jovens basicamente conversam sobre suas vidas e vivem experiências comuns à adolescência e à juventudade. E só.


Os jovens atores, entretanto, estão muito bem em seus papeis. Mateus Almada dá vida a Martin, com sérios problemas de relacionamento com o pai e que vai até a cidade tentar resolver uma pendência familiar, atrás de um documento do avô. Já Maurício José Barcellos faz de seu Tomás um jovem calado e introspectivo, mas que conquista de cara o espectador, devido à sua lealdade ao amigo. São dois bons personagens, que conversam bastante (e arrancam uma ou outra risada do público, em cenas bem juvenis e naturais), em longas tomadas feitas por uma câmera que tenta soar moderninha, mas é excessivamente pretensiosa. Porque, desculpem-me os realizadores, mas as cenas desfocadas e a câmera que parecia não saber o que e onde se fixar, apesar de querer ser um exercício visual apenas ficou chato na maior parte do tempo.

Assim, como um recorte de um final de semana de dois amigos por uma cidade litorânea, Beira-Mar começa a partir de um favor que um filho faz para o pai e termina abruptamente, sem uma conclusão para a história, o que pode frustrar alguns espectadores. Entretanto, nesse caso específico, acredito que o final em aberto combinou perfeitamente com o restante do longa e sua proposta.

Singelo e bastante calmo (volto a frisar: o filme é lento, se você não gosta do estilo, não assista, você vai dormir), Beira-Mar é uma boa obra para aqueles que se permitirem embarcar na proposta dos diretores, relevando sua pretensão de jovens idealizadores para apreciar um retalho da vida de dois jovens adolescentes. 

Mais que isso, o filme pode tocar ao nos fazer pensar: que adolescente já não foi bobo assim?

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Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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1 comentários:

Galvam disse...

Pense num filme chato?

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