26 de nov de 2015

Jogos Vorazes: A Esperança - O Final, de Francis Lawrence




O fim de uma saga. Quem acompanha uma história, seja ela literária ou audiovisual (algumas vezes, as duas, né?) sabe bem como é se despedir definitivamente de personagens que você acompanhou durante anos de sua vida. Personagens que fizeram parte do seu imaginário, que ajudaram você a viver uma realidade que não era a sua, mas que fez parte de muitas horas suas dedicadas a eles. Por isso, tantas vezes, a despedida é tão triste. Porque aqueles personagens vão se despedir de você definitivamente.

Jogos Vorazes, os filmes baseados nos excelentes livros de Suzanne Collins, trouxeram emoção, aventura e discussão política para uma jovem plateia de espectadores, em forma de cinema de qualidade e boa produção. A história, que parecia apenas uma aventura qualquer (muito da boa, por sinal) no primeiro filme, cresce com o avançar dos filmes, tornando-se um drama político envolto por aventura que, vejam só, diz tanto sobre o nosso próprio mundo, mesmo se passando em uma realidade distópica. E Jogos Vorazes: A Esperança - O Final é o capítulo final indispensável dessa trama.

Iniciando-se imediatamente após os acontecimentos do último filme (e juro que eu precisava de um previosly on..., minha memória não é das melhores), vemos Katniss se recuperando do ataque de Peeta, que teve suas lembranças modificadas pela Capital, tornando-se uma arma para matar a mocinha. Mas é claro que ela consegue sobreviver, aumentando com isso apenas o seu ódio por Snow.

É então que ela decide burlar os planos de Coin, infiltrando-se em uma expedição para a Capital, com o único objetivo de matar pessoalmente Snow. E é essa jornada que acompanhamos na parte final do filme, com muita aventura e, de maneira triste, a morte de muitos personagens, alguns deles muito queridos do público.


A direção de Francis Lawrence é frenética, com boas tomadas e cenas, dirigindo um elenco competente e que conhece os personagens que defendem bem. Entretanto, assisti ao filme em 3D e me pareceu que o recurso foi usado apenas para angariar mais dinheiro do público, já que não há nenhuma necessidade da tecnologia no longa que, ao contrário de outras produções, não me pareceu pensado para funcionar assim. Ao contrário, em muitos momentos eu ficava era perdido com o 3D, que parecia mais "sujar" as imagens do que beneficiá-las.

Para quem leu os livros de Suzanne Collins, algumas situações poderão soar apressadas ou mal desenvolvidas, o que é normal em uma transposição de mídias. Eu digo sempre e repito aqui: livro é livro, filme é filme, aceitem. Mas, para os fãs da história, assistir às cenas na telona já sabendo exatamente o que vai acontecer ali é aflitivo e gratificante.

Mais uma vez, Jennifer Lawrence dá humanidade à Katniss, que tinha tudo para ser uma personagem chata e egoísta, mas que consquista o público e nos faz torcer por ela. Isso, aliado ao carisma do ator Josh Hutcherson, que faz de Peeta um personagem apaixonante, nos faz querer ver o casal junto ao final da história.

Bem feito, Jogos Vorazes: A Esperança - O Final fecha com chave de ouro uma história que nos fez viajar, entrar no incrível mundo de Panen e que, acima de tudo, nos fez pensar em política e na nossa própria realidade. Em tempos como os nossos, um filme capaz de fazer isso já é, por si só, relevante e necessário.

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Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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