7 de dez de 2015

Naomi, Ely e a Lista de Não Beijos, de Kristin Hanggi





Parece óbvio, mas é um verdadeiro exercício para mim: ao assistir um filme baseado em um livro, tenho de me focar na máxima que diz que livro é livro e filme é filme, que mídias diferentes exigem modificações de histórias já conhecias e todo o blablabla. Mas, convenhamos, quem consegue fazer isso quando se trata de uma história afetiva, cujos personagens você já conhece de um bom livro e espera ansioso por vê-los em "carne e osso" em um longa?

Digo isso porque foi meio complexo para mim analisar Naomi, Ely e a Lista de Não Beijos, filme baseado no livro de David Levithan e Rachel Cohn, Naomi & Eli e a Lista do Não Beijo (tá vendo, mudaram até o nome original. Sutilmente, eu sei, mas mudaram!). Eu queria uma história mais fiel ao livro, personagens que se parecessem com os que imaginei enquanto lia aquelas páginas. E foi frustrante conseguir separar uma obra da outra e avaliar a segunda, que optou por caminhos que eu não achei tão legais quanto as páginas do livro.

Mas, poxa, Leandro, o filme é ruim? Então, ruim, ruim, ele não é, mas também não é bom. O que, se você ama um livro, pode ser uma verdadeira merda quando faz a comparação. E não, não estou sendo muito exigente e deixo isso claro nos próximos parágrafos.


Para quem não conhece a história, um breve resumo: Naomi e Eli são amigos de infância, que cresceram em um prédio da alta classe de Nova York. Sendo Naomi apaixonada por Eli, que é gay, totalmente gay. Naomi tenta então sufocar essa paixão por seu amigo e, para não estragar a amizade, criam juntos uma lista de rapazes proibidos de serem pegos, beijados e whatever. Uma lista que não inclui Bruce, o atual namorado de Naomi. E, é claro, Eli acaba se envolvendo com ele. 

Victoria Justice e Pierson Fode vivem os protagonistas do filme e, apesar de eu ter imaginado Eli uma pessoa completamente diferente, eles estão bem em seus papeis. Victoria, por exemplo, consegue fazer da personagem de Naomi ainda mais chata que a do livro e olha que isso era muito difícil, o que é mérito da atriz.

O grande problema do filme dirigido por Kristin Hanggi, entretanto, é que ele não convence. Por mais surreal que a história do livro possa parecer (e não é, afinal, que gay não conhece uma mulher potencialmente apaixonada por ele?), no filme as tintas são muito carregadas, tornando inverossímil aquela história, o que é uma pena.

Além disso, com o ritmo arrastado usado no longa, ele comete um pecado mortal para um filme: torna-se chato. Para terem uma ideia, o filme tem aproximadamente 1h e 30min de duração. Parece BEM mais. 

Disponível no Netflix, o filme sequer passou nos cinemas por aqui, o que consigo entender perfeitamente. Entretanto, fica a dúvida: eu não gostei do filme por que conhecia a história do livro ou por que ele é apenas ruim mesmo? Nunca saberemos!

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Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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