16 de jan de 2016

Além do Tempo: Impressões Finais




Quase não assisto mais novelas como gostaria de assistir, devido à correria do dia a dia. Ouço alguns comentários aqui, outros ali; às vezes, com o controle na mão, vejo alguma atriz que eu gosto, ou ator, e acabo assistindo uma cena ou outra. Mas, nos últimos dois ou três anos não tive muita paciência de assistir novelas do início ao fim.

Porém, no meio do ano passado, estava sentado corrigindo umas avaliações bimestrais, as férias se aproximavam, quando uma voz inconfundível, do nosso maravilhoso ator Milton Gonçalves, me chamou a atenção. Lembro-me que parei de corrigir as provas, mas continuei ouvindo a sua voz sem olhar para TV. E aquela frase me fez sentir um arrepio da cabeça aos pés:
“Quando um amor é mais forte do que a própria vida, ele não cabe numa só história.”
E, antes mesmo que olhasse para a TV, ouvi a voz da grandiosa atriz Irene Ravache. Olhei imediatamente e a vi vestida de preto, escorraçando então a personagem de outra atriz incrível, Ana Beatriz Nogueira. Foi naquele momento que olhei para minha mãe e ela me disse na mesma hora: 
- Essa novela, vai ser boa!
Senti uma felicidade, pois sabia que viriam muitas emoções. Engraçado que há muito tempo eu não me sentia empolgado em assistir nenhuma novela, acho que a última vez que isso aconteceu, de ficar assim contando os dias, eu era adolescente, com a novela Vamp (1991).


Assim que a novela se iniciou, a cada capítulo com uma emoção diferente, o amor puro dos protagonistas, a troca de olhares... Eu fiquei torcendo para que acontecesse logo o primeiro beijo. Essa novela fez com que nos primeiros capítulos odiássemos alguns personagens e amássemos outros e, como no caso da Condessa Vitória (Irene Ravache), tivéssemos pena.

Os embates entre a Condessa e Emília dispensavam falas, os olhares que uma dirigiam para a outra em cena já nos permitiam entender que palavras sairiam de seus lábios. Fazia muito tempo que eu não via um show de interpretação, uma emoção atrás da outra, que o meu desejo era passar pela tela e falar poucas e boas para as duas, tamanha força da cena.

Sem contar o núcleo da família do senhor Máximo (Luiz Melo), que era muito divertida, as duas irmãs cada qual com a sua qualidade. Minha empolgação com a novela era tanta, que comecei a pesquisar sobre os próximos capítulos e fazer comentários com muitos amigos que também assistiam e adoravam e assim, através do meu sobrinho Esdras, descobri que a novela se tratava de uma trama “espírita”, e que teria um avanço no tempo de 150 anos, isso fez com que eu ficasse ainda mais vidrado na história.

Quando os capítulos da primeira fase foram chegando ao fim, eu torcia e torcia para uma reconciliação entre a condessa Vitória e a simples Emília (Ana Beatriz Nogueira) se acertarem. Torcia para que o casal protagonista Lívia e Felipe (Alinne Moraes e Rafael Cardoso) ficassem juntos ao final, mesmo sabendo que era só uma mudança de fase. Porém, mesmo eu já tendo bisbilhotado inúmeros sites de fofocas, e sabendo como seria o capítulo final da primeira fase, tive um impacto muito grande.

Como os dois que se amavam tanto poderiam morrer? A cena em que Lívia e Felipe se afogavam foi demasiadamente chocante, triste e real. Quantos casos ouvimos de jovens casais de namorados, noivos e casados que morrem em acidentes? Talvez por isso a cena tenha me marcado tanto. Mas o tempo passa muito rápido, e 150 anos depois, ali estavam Lívia e Felipe, frente à frente. Graças ao destino.

Naquela noite, após o término do capítulo, corri para as redes sociais para fazer o meu comentário diário e, é claro que as pessoas estavam revoltadas com a morte dos protagonistas, muitas dessas pessoas diziam que não iriam mais assistir a novela, que era um absurdo os protagonistas morrerem. Minha mãe mesmo, reclamou, falou mal dos autores... Foi uma semana até ela voltar a assistir à novela de novo. Eu estava super empolgado com a nova fase, a cada personagem que aparecia eu chamava a minha mãe para ver como eles tinham mudado seus figurinos, seus sobrenomes... E minha mãe zangada alegava não querer mais ver.


O incrível da segunda fase, que pegou a todos nós desprevenidos, foi a forma como a novela interligou o personagem atual com a sua vida passada, através de sensações que nós, simples telespectadores, chamamos de déjà vu. Quantas e quantas vezes pressentimos que algo vai acontecer, e em seguida acontece? Quem nunca foi para um lugar pela “primeira” vez e teve a nítida sensação de já ter estado naquele local antes? Quem já olhou para uma pessoa que nunca viu na vida e automaticamente sentiu uma antipatia gratuita? E a sensação de abraçar alguém pela primeira vez e saber de alguma forma que você já abraçou essa pessoa antes? Todos nós já passamos por todas essas situações, e essa foi a grande cartada da novela, que mostrava cenas que, além de remeter vidas passadas dos personagens, nos faziam de alguma forma perceber alguns erros nossos. A novela nos fez compreender que a vida é um ciclo, e um ciclo é contínuo, você passa por uma experiência e um dia retorna, porém, se você fizer o bem, o ciclo se completa tranquilamente; mas se você fizer o mal, você prestará contas. É a lei da vida.

Uma frase desse último capítulo da novela, com a qual encerro este texto, foi dita pela personagem Dorotéia, a espetacular Júlia Lemmertz:
“Quando você transmite ódio, você recebe ódio, mas quando você transmite amor, você recebe amor.”
Odeie menos e ame mais.
Leia Também:
Leandro Faria  
Você curte cultura pop e também quer dividir suas impressões com o resto do mundo? Se gosta de escrever e está preparado para ser lido, entre em contado conosco através do email popdebotequim@gmail.com e teremos o maior prazer em publicar suas críticas e textos sobre o mundo pop. Não perca tempo e venha já fazer parte da nossa equipe!
FacebookTwitter
Para receber os artigos do PdB por email e ficar por dentro de tudo que rola em nosso botequim, basta inserir seu contato abaixo e, pronto! Os melhores artigos, servidos de bandeja para você, da maneira mais cômoda e prática da internet:




0 comentários:

Share