18 de jan de 2016

Carol, de Todd Haynes




2016 começa com uma enxurrada de bons filmes, em sua maioria indicados ao Oscar desse ano, como é o caso de Carol, protagonizado por Cate Blanchett. Indicado a 6 Oscars, incluindo Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante para Cate e Rooney Mara, que estão simplesmente fascinantes em seus respectivos papéis, o longa é dirigido por Todd Haynes, um diretor que particularmente tenho um carinho especial, pois também é o responsável por um de meus filmes favoritos, Longe do Paraíso (2002), com a magnífica Julianne Moore.

Carol tem muito do filme de 2002, a começar pela reconstituição de época; ambas as histórias se passam na década de 1950. E se em Longe do Paraíso a personagem de Moore sofria ao se ver às voltas com as tendências homossexuais do marido, abrindo mão da paixão por seu jardineiro negro diante de uma sociedade absolutamente moralista, machista e preconceituosa, em Carol vemos o retrato do empoderamento de uma mulher à frente de seu tempo.

Carol Aird (Blanchett) é uma mulher sedutora e refinada, casada com Harge Aird (Kyle Chandler), com quem tem uma filha, Rindy (Kk Heim), de 5 anos. Apaixonada pela garotinha, Carol mantém seu casamento de aparências, pois seu objeto de desejo são as mulheres. Harge não ignora as preferências de sua esposa, mas a ama a ponto de já ter-lhe perdoado algumas "escapadas". No entanto, a paixão pela jovem Therese Belivet (Mara), desperta em Carol o desejo de viver esse sentimento em toda sua plenitude.

Carol e a retraída Therese se conhecem quando a primeira é atendida pela segunda ao fazer suas compras de Natal. Assediada por muitos homens e usando de todos os subterfúgios da época para não se entregar a nenhum, Therese fica fascinada por Carol no exato instante em que a vê. As duas mulheres passam a se conhecer melhor, e o desejo cresce a cada encontro, mas ambas são cautelosas e não rendem-se à paixão de imediato. Elas flertam e seduzem-se por gestos, olhares e palavras, pois sabem que a calma e a delicadeza são essenciais na situação em que se encontram, e dão um sabor especial ao prazer carnal que as espera.


Sentindo-se ameaçado pela nova "amizade" da esposa, que à essa altura já pediu o divórcio, Harge entra na justiça para impedir Carol de ficar com a filha e nem sequer vê-la, até sair o divórcio. Tudo com o intuito de demovê-la da ideia de separar-se dele. Mas o feitiço vira contra o feiticeiro e, apesar de arrasada com a atitude do marido, Carol decide entrar em seu carro e viajar sem destino pelas estradas americanas até o dia do julgamento, já que será obrigada a ficar longe da filha. Em sua companhia, a doce Therese.

Carol e Therese vivem dias de sublime paixão. Se amam e encontram-se uma na outra. Mas em pouco tempo, o sonho vira pesadelo, e com provas irrefutáveis de sua conduta imoral, que podem tirar a guarda de sua filha pra sempre, Carol se vê obrigada a entrar em um acordo com o marido, e afastar-se de Therese definitivamente. Mas quem pode conter a força de uma paixão? Mais do que isso, quem pode impedir que o amor verdadeiro floresça e se estabeleça, apesar de algumas mágoas e ressentimentos?

Carol é uma história de amor terna, que enche os corações sensíveis de alegria, embalada por cenários, fotografia, figurinos e trilha sonora encantadores, além de duas atrizes em interpretações esplendorosas.

Carol merece sua conferida, e você merece conhecer Carol. Garanto que será uma imensa satisfação.

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Leandro Faria  
Esdras Bailone: leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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