19 de jan de 2016

Creed - Nascido Para Lutar, de Ryan Coogler





Nas décadas de 1970 e 1980, vários personagens de muitos longas acabaram se tornando símbolos da cultura pop, como o lutador de boxe Rocky Balboa e o soldado John Rambo. Ambos foram interpretados pelo mesmo ator: Sylvester Stallone. Filho de um italiano e nascido em Nova York, ele morou, posteriormente, com a mãe na Filadélfia. E foi ele, o próprio Stallone, que também escreveu o roteiro de Rocky: Um Lutador. O último filme da franquia foi lançado há 10 anos, e como todos os outros, o roteiro deste foi escrito pelo próprio ator. Imaginava-se que nunca mais veríamos Rocky Balboa novamente. Porém, o cinema é uma caixinha escura de surpresas e Creed: Nascido Para Lutar o trouxe de volta. 

Nesta nova trama da franquia, o protagonismo não vai para Rocky, mas para Adonis Creed, filho bastardo do saudoso adversário do garanhão italiano, Apollo Creed. A grande sacada de Creed: Nascido Para Lutar é ter uma história baseada na vida de um dos mais importantes adversários de Rocky, Apollo Creed. O público descobre que Creed teve um caso com uma mulher e ela acabou tendo um filho dele. Ela, porém, também morre muito cedo e o garoto acaba vivendo mais em reformatórios do que em lares adotivos. A viúva de Creed, Mary Anne (Phylicia Rashad, da série The Cosby Show) acaba encontrando-o e adotando-o. 

Porém, Adonis tem o sonho de seguir a carreira do seu pai, e para isso ele se muda para Filadélfia a fim de encontrar Rocky e assim fazer com que ele o treine, coisa que, logo de início, o ex-campeão rejeita, mas a persistência de Adonis faz Rocky mudar de opinião.


Em muitos aspectos, é uma recriação da estrutura clássica do primeiro filme, ou de virtualmente todo o filme do gênero esportivo. Uma longa preparação física e psicológica para um recompensador clímax catártico. O que difere nesta obra é o tratamento certeiro do roteiro de Coogler e Aaron Covington, que são eficientes em utilizar todos os artifícios e muletas narrativas para a construção de uma história. A trajetória de Adonis já difere bastante da de Balboa, por trazer um personagem mais avantajado, dada a fortuna de sua mãe adotiva e o peso de seu sobrenome, algo que gradualmente pressiona o jovem a honrar o legado de seu pai e também provar seu próprio valor. 

Coogler reverencia a mitologia com a qual trabalha; Creed é tanto um filme sobre esportes e dramas pessoais, quanto é um filme sobre Rocky, enxergando as narrativas dos anos 70 e 80 como um horizonte de expectativas a serem trabalhados, revisitados e, mesmo algumas vezes, desconstruídos. Adonis, assumindo o papel de protagonista e personagem ponto de vista, lembra tanto Apollo quanto Rocky em sua construção. Tem a personalidade determinada e excessiva do genitor, com a camada extra de que desde cedo se preocupa em não fazer sucesso na sombra de seu pai, mas seguir o próprio caminho. Um azarão nos moldes de Rocky, mas com seu tempero particular. 

Os atores Michael B. Jordan e Sylvester Stallone conseguem fazer uma dupla fantástica em cena. Sylvester Stallone realmente criou o personagem da sua vida. Mesmo quando o roteiro é escrito por outras pessoas, Stallone é Balboa. O personagem se encaixa com uma luva – de boxe. Jordan faz o papel do jovem que segue o seu sonho apesar de tudo com a voracidade e o sangue nos olhos necessários para ser um bom boxeador. O destaque também vai para Tessa Thompson. Tessa consegue fazer o papel da jovem musicista que está perdendo a audição, porém, irá trabalhar com o que gosta até não poder mais. Este problema dá à personagem a determinação necessária para realizar o seu sonho e Tessa a interpreta desta maneira. A veterana atriz Phylicia Rashad interpreta a mãe adotiva muito bem.


Creed é nostálgico com essas grandes figuras do passado com as quais crescemos assistindo, sendo em grande parte um elogio ao “melodrama de esportes”, mas também não esquece de ser um filme atual, com tudo que se pode observar de positivo e negativo a partir daí: o festival técnico domina as lutas - planos detalhes, balé de montagem, super câmera lenta, câmeras ponto de vista, isolamento alternado com preenchimento na composição da malha sonora, detalhismo em violência gráfica, flashbacks em velocidade estonteante - trazendo uma composição de estímulos para dentro do ringue. 

Se há um fator no qual Creed realmente falha é seu oponente: seja Apollo Creed no primeiro filme, o ótimo Mason Dixon em Rocky Balboa ou até mesmo o ciborgue Ivan Drago em Rocky IV, os adversários sempre foram figuras marcantes e memoráveis. O “Pretty” Ricky Conlan, infelizmente, passa todo o longa como um sujeito arrogante e provocador, sendo facilmente um arquétipo de antagonista. 

No geral, Creed: Nascido para Lutar é mais um fantástico exemplo de como se rebootar uma franquia sem invalidar ou simplesmente se apoiar nos feitos do original. Como o próprio protagonista, nesse filme Ryan Coogler encontra sua própria identidade dentro de um universo familiar, sem dúvida fazendo justiça ao legado do icônico Rocky Balboa.

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Leandro Faria  
Artur Lima: aficionado por cinema, música, seriados e livros, não nesta ordem, apaixonado por dias frios e chá. Estudante de Comunicação Social, acha que sabe de tudo e sonha em trabalhar com cinema.
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1 comentários:

CriaGyn disse...

O Filme é maravilhoso.

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