23 de jan de 2016

Perdido em Marte, de Ridley Scott




Minha vontade de assistir Perdido em Marte (The Martian, no original) no cinema era enorme, porém, por motivos que não vem ao caso, não pude conferir o mesmo nas telonas. Entretanto, ontem, no conforto da minha humilde residência, eu pude enfim conferir o tão desejado filme e, confesso que fiquei 99% surpreso e aquele 1% decepcionado. 

O filme que é baseado no livro homônimo de Andy Weir, onde a trama, como já é obvio, se passa em Marte, onde um grupo de astronautas estão em uma missão no planeta vermelho, até que no meio da missão surge uma grande tempestade de areia que obriga os tripulantes a sair de Marte. Mas, enquanto isso acontece, o astronauta Mark Watney (Matt Damon) é atingido por destroços do equipamento e some em meio a tempestade, sua tripulação crê que ele está morto e vai embora do planeta. Então o improvável acontece e Mark surpreendentemente acorda, ferido mas vivo, e volta para o acampamento/base da Nasa em Marte. 

O plot do filme é interessantíssimo e, particularmente, gostei muito da estética visual e fotográfica do filme, com imagens que conseguem nos imergir em um planeta solitário, denso e, ao mesmo tempo magnifico; a direção de arte está em altíssimo nível. Matt Damon consegue construir um personagem atraente e interessante, inteligente e sarcástico com as diversidades que lhe são impostas pela situação, como as provisões que, em teoria, o manteriam vivo por alguns meses, mas graças à sua formação em botânica ele consegue resolver esse problema.


O que é fascinante, é como o personagem principal consegue se manter bem-humorado apesar de tudo que acontece. Não sei vocês, mas eu não ficaria muito humorado se soubesse que tenho que sobreviver em um planeta hostil por pelo menos 4 anos até que a próxima missão tripulada chegue a Marte, e ainda mais, sem conseguir avisar a Terra que eu estou vivo, ou seja, é difícil acreditar que uma pessoa possa se manter em estado mental estável numa situação dessas. 

E justamente nesse aspecto que vem a minha decepção com o filme. Eu esperava um personagem mais intrigante na dramaticidade da solidão, da incerteza de se manter vivo contra todo o prognóstico que lhe é imposto. Mesmo sendo extremamente carismático o personagem, creio que faltou profundidade no aspecto emocional, já que apenas em um momento vemos Mark ter essa consciência de perda. 

O elenco de apoio do filme é recheado com excelentes atores, como Jeff Daniels, que interpreta o diretor da Nasa, e que está muito bem no papel. Jessica Chastain está firme no papel de comandante Lewis, ela já havia feito um filme de aventura espacial, sendo a Murphy em Interstellar. Mas achei excessivo o número de personagens secundários sem o aprofundamento deles, ou seja, não cria uma empatia com o telespectador. Até mesmo o personagem de Matt Damon não tem aprofundamento necessário para a construção do personagem, mas consegue a empatia do público graças à sua boa atuação.


Resumindo, o roteiro segue o clássico formato da jornada do herói, com um protagonista tendo um chamado à aventura a contragosto, mas enfrentando os desafios uma vez estando fora do lugar comum, tendo ainda momentos de fraqueza diante das dificuldades. No entanto, o maior pecado do filme foi exagerar nos alívios cômicos, fazendo parecer que a luta pela sobrevivência do protagonista não passasse drama suficiente para a plateia. 

Na trilha sonora temos a predominância da disco music funcionando muito bem como alívio cômico. Os destaques ficam para Starman, de David Bowie, e I Will Survive, de Gloria Gaynor – que só pelo título já se justificam. 

Em um aspecto geral, o filme entretém e diverte, é legalzinho, mas peca por não aprofundar nos dramas do personagem principal, e não consegue criar um núcleo de apoio igualmente sustentável para o mesmo. Particularmente, gostei, mas ainda prefiro Interstellar, de Christopher Nolan.

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Leandro Faria  
Artur Lima: aficionado por cinema, música, seriados e livros, não nesta ordem, apaixonado por dias frios e chá. Estudante de Comunicação Social, acha que sabe de tudo e sonha em trabalhar com cinema.
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