20 de jan de 2016

Pop Séries: Black Mirror





Quando falamos em séries de televisão, é inegável que são os EUA a nossa primeira referência sobre o assunto. Se nós, brasileiros, somos experts em novelas, os americanos desenvolveram e dominam a arte de fazer séries que, já há alguns anos, deixaram de ser considerados produtos enlatados para entrarem em uma fase de ouro, que tem perdurado e, pelo andar da carruagem, ainda vai durar por um longo tempo. Entretanto, engana-se quem pensa que são apenas os americanos que sabem fazer boas séries (e o sucesso francês Les Revenants é apenas um exemplo disso), tanto é que o texto de hoje é sobre Black Mirror, uma verdadeira obra de arte audiovisual que vem da Inglaterra e que, adianto, todo mundo deveria conhecer.

Eu não sou um completo leigo no que diz respeito às séries inglesas. Acompanhei as temporadas de Misfits e, além disso, vi me diverti com Dead Set e In The Flesh, duas séries vindas da Inglaterrra sobre um mesmo assunto (zumbis), mas com abordagens distintas e interessantíssimas. Por isso, assim que li alguns elogios rasgados a Black Mirror, decidi saber do que se tratava a série e, já no primeiro episódio, fui fisgado irremediavelmente pela produção.

Com um formato diferente do que estamos normalmente habituados, Black Mirror é uma série formada por episódios distintos, cada uma com um elenco diferente e uma história com início, meio e fim. A única coisa em comum entre eles é que todos parecem se passar em um futuro distópico, cada história tendo muito de tecnologia e humanidade, sempre dosadas de maneira incrível. E esse mundo apresentado na série é bastante igual ao nosso, ao mesmo tempo que é diferente. Parece confuso, mas basta assistir para constatar: é genial.

Com temporadas curtas, disponíveis na Netflix (a primeira e a segunda temporada com três episódios cada uma, além de um especial de Natal), Black Mirror é uma antologia de ficção científica, que retrata muito bem um painel humano de uma dependência cada vez maior às tecnologias. Com personagens incrível em situações surreais e peculiares, mas ao mesmo tempo tão possíveis, é aquele tipo de série que nos deixa sempre com gostinho de quero mais.

Cena do episódio The National Anthem, da primeira temporada.


Com os atuais episódios disponíveis na Netflix produzidos entre 2011 e 2014, a série conquista de cara com seu episódio inicial. Chamado The National Anthem ele conta uma história que, apesar de parecer bizarra, poderia ser real: a jovem princesa inglesa é sequestrada e o pedido do sequestrador é exótico, já que ele faz apenas uma exigência para libertar a princesa, que é que o primeiro ministro britânico faça sexo, ao vivo e em rede nacional, com uma porca. Com maestria, o roteiro nos faz uma crítica sobre o poder na imprensa e da opinião pública, algo importantíssimo em dias estranhos como os que vivemos.

Ainda na primeira temporada, outro episódio incrível é o terceiro, The Entire History of You, que fala sobre ciúmes em uma época em que todo ser humano é equipado com uma espécie de chip que armazena todas as suas memórias, que podem ser consultadas a qualquer momento através de um grão instalado atrás das orelhas e ligado diretamente ao seu globo ocular. Confesso que fiz uma associação imediata com Dom Casmurro e a dúvida de Bentinho com relação à Capitu nessa história, mas o desenrolar do episódio é completamente distinto da história nacional e está, para mim, entre um dos melhores da série. 

Cena do episódio The Entire History of You, da primeira temporada.


Já a segunda temporada é aberta com o excelente Be Right Back, que faz um interessante questionamento: se alguém querido morresse e você tivesse a possibilidade de rever essa pessoa através de um programa de computador que vasculharia toda a rede e faria uma nova versão dessa pessoa, você toparia a empreitada? Em tempos como os que vivemos, em que compartilhamos ideias através de postagens em redes sociais e até mesmo vídeos e arquivos de áudio, podemos nos perguntar: não seria isso possível em um futuro próximo? É assustador e, ao mesmo tempo, fascinante.

Legal também é o especial de Natal produzido para a série em 2014, White Christimas. Estrelado por Jon Hamm, que acabou de ganhar o Globo de Ouro por sua atuação em Mad Men, o episódio (longo e um prato cheio para os fãs), tem tudo aquilo que a série sempre apresentou anteriormente, deixando-nos anida mais felizes por termos nos apaixonado por ela.

Cena do episódio Be Right Back, da segunda temporada.


O bom, para aqueles que já se deliciaram com os sete episódios disponíveis de Black Mirror, é que a série, originalmente produzida e exibida pelo Channel 4 inglês, agora é de propriedade da Netflix, que garantiu a produção de uma nova temporada, com bem mais episódios do que as anteriores: doze! Que devem estar disponíveis no serviço de streaming em meados de 2016. É pra aguardar com ansiedade!

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Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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