26 de jan de 2016

Pop Séries: Making a Murderer





Um erro da justiça, um homem condenado por um crime que não cometeu e preso injustamente por 18 anos. Esse foi o drama real de Steven Avery, um americano de Manitowoc, Winconsin, acusado de um estupro pelo qual foi injustamente condenado. Depois de 18 anos, em 2003, graças à insistência de sua família e à evolução de tecnologias, um exame de DNA provou sua inocência e ele foi solto. Dois anos depois de sua soltura, em 2005, quando Steven processava o Estado por sua condenação injusta e poderia receber US$ 26 milhões de ressarcimento, ele é acusado de um novo crime, dessa vez um assassinato, e choca a opinião pública. E é esse todo o material que acompanhamos em dez episódios de aproximadamente uma hora da série documental Making a Murderer, da Netflix.

Eu comecei a assistir a série devido a todo o buzz em volta dela. Lançada sem alarde em 18 de dezembro do ano passado, a série ganhou visibilidade quando se tornou o assunto do momento e o caso de Steven Avery voltou à mídia graças a ela.  E o poder da Netflix veio à tona, quanto até mesmo um manifesto foi criado e enviado ao próprio presidente americano para que o caso de Steven fosse reavaliado.

Especulações à parte e falando sobre a produção em si, não espere cliffhangers de tirar o fôlego ou uma narrativa como às das séries policias de ficção, tipo How To Get Away With Murder, por exemplo. Em Making a Murderer as coisas são contadas bem devagar, com muitos episódios mostrando o julgamento de Steven pelo assassinato de Teresa Halbach, em um ritmo até mesmo arrastado em muitos momentos. Mas a história é tão envolvente que você se vê preso (sem trocadilho) naquela trama, querendo saber o que aconteceu com Steven (se é que você não fará como eu, e procurará na internet notícias sobre o caso), que parece o homem mais injustiçado do mundo desde o primeiro episódio. 


E um dos pontos questionáveis de Making a Murderer reside exatamente aí: a série é totalmente tendenciosa, já que você não questiona em nenhum minuto que um segundo erro foi cometido e que aquele homem está preso injustamente. E se pergunta: como os jurados não estão vendo que armaram isso para ele, meu povo? E se ficamos revoltados com o circo que a imprensa americana faz antes do julgamento, praticamente condenando Steven perante o público da época, a série acaba fazendo o mesmo, ao omitir diversas partes do julgamento que poderiam fazer o público de hoje se questionar: será que ele é mesmo tão inocente quanto estão tentando nos fazer acreditar?

Entretanto, esse detalhe é pequeno perto da boa obra que é a série, que coloca em xeque o sistema prisional americano e uma instituição que, por lá, é considerada honesta e protetora: a polícia. Culpado ou inocente, é inegável que muitos erros foram cometidos no processo de Steven e que provas foram plantadas para incriminá-lo. Assim como, depois de a série chegar à plataforma de streaming, novas informações vieram à público através dos jornais e dos noticiários, que apontam que Steven não é tão bonzinho quanto podemos ser levados à acreditar.

O que é triste, em minha opinião, é que apesar de mil teorias e especulações, nós nunca saberemos o que efetivamente aconteceu com Teresa Halbach, no dia 31 de outubro de 2005, quando foi assassinada. Uma mulher cheia de vida perdeu brutalmente sua vida e temos dúvidas até hoje sobre quem foi o autor desse crime. Eu não sei se Steven é culpado ou inocente, mas um fato é inegável: apesar de bizarra, essa trama é inquietante e perturbadora.

E nós, telespectadores da vida real desse caso, queremos saber mais e mais sobre o que efetivamente aconteceu. Mesmo depois que sobem os créditos do episódio final de Making a Murderer, outro grande acerto da Netflix.

Leia Também:
Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
FacebookTwitter


2 comentários:

Micael Estrázulas disse...

O texto podia ter menos spoilers da série né? :/ nem terminei de ler

Leandro Faria disse...

Micael, a "série" é um caso real e não conto nada mais além do que já é de domínio público e não spoiler.

Share