11 de fev de 2016

#BaúPop: V de Vingança




Um dos filmes de que mais gostei e sempre que posso assisto novamente é V de Vingança (V for Vendetta, no original). Sua história política de um governo distópico cuja opressão totalitária é ameaçada graças a um personagem totalmente inusitado me mantem atraído até os dias atuais.

Ambientado na paisagem futurista da Bretanha totalitária, V de Vingança chegou aos cinemas em 2005, e conta a história de uma jovem da classe trabalhadora, Evey (Natalie Portman), que é salva de uma situação de vida ou morte por um homem mascarado conhecido apenas como V (Hugo Weaving). Profundamente complexo, V é ao mesmo tempo interessado em literatura, sofisticado, delicado e intelectual, um homem dedicado a libertar seus cidadãos dos que os aterrorizam. Mas ele também é amargo, vingativo, solitário e violento, motivado por uma vingança pessoal, uma vendetta. Em sua luta para libertar o povo da Inglaterra da corrupção e da crueldade que envenenaram o governo, o codinome V condena a natureza tirânica dos líderes e convida os cidadãos a se juntarem a ele próprio no dia 5 de novembro, o Dia de Guy Fawkes. Imbuído do espírito de rebelião, em lembrança àquele dia, V jura realizar o plano pelo qual Fawkes foi executado em 5 de novembro de 1605: vai explodir o Parlamento. 

Quando Evey descobre a verdade sobre o misterioso passado de V, também descobre a verdade sobre ela mesma, e torna-se uma improvável cúmplice no plano para iniciar uma revolução, trazendo de volta liberdade e justiça para uma sociedade repleta de crueldade e corrupção.


V de Vingança é adaptado na HQ homônima de Alan Moore, que não se envolveu na produção cinematográfica, visto que suas outras obras adaptadas para o cinema não foram tão bem assim. Mas o que não acontece aqui, embora o filme não seja tão literal quanto a sua base na HQ, é que ele tem um resultado satisfatório, e que agrada de um modo geral. 

Como adaptação, existem sim vários fatores da história original que não foram levados à tela. O roteiro da HQ é muito mais complexo, com mais personagens e tramas paralelas. Além disso, Evey é uma pessoa mais fraca e moldável nos quadrinhos. Entretanto, essas mudanças são necessárias - já que são duas linguagens totalmente diferentes. 

Os atores escolhidos foram de uma felicidade atroz. Hugo Weaving, no papel de V, consegue dar vida a um personagem que usa uma máscara durante toda a projeção. É de se imaginar a dificuldade, já que ele não podia usar o recurso da expressão facial para facilitar seu trabalho. Com o simples uso do tom de voz e suas inflexões, auxiliado pela sua costumeira eloquência, ele rouba todas as cenas que aparece. Suas falas e discursos usando os textos de Shakespeare são intensamente charmosos. E olha que ele não foi a primeira escolha para o papel. Os deuses da 7ª arte deram uma ajudinha, e James Purefoy, a primeira escolha dos realizadores, abandonou o projeto por divergências criativas com os irmãos Wachowski.


Natalie Portman (de Closer – Perto Demais) – que por sinal, até careca consegue ser linda -, dá toda a complexidade que sua personagem exige. Evey, de início, é uma pessoa aparentemente frágil e insegura, e que vai se modificando durante a projeção até conferirmos ao final, uma imagem totalmente diferente do começo. Para tal mudança, Natalie confere uma exímia carga dramática. 

Enfim, V de Vingança, independente do fardo de ser uma adaptação, funciona muito bem como filme. Consegue se distanciar do lugar comum e vai muito além da diversão acéfala a que estamos acostumados. Bem dirigido, com uma história envolvente, é mais uma amostra da eficácia dos irmãos Wachowski, que produziram o filme.

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Leandro Faria  
Artur Lima: aficionado por cinema, música, seriados e livros, não nesta ordem, apaixonado por dias frios e chá. Estudante de Comunicação Social, acha que sabe de tudo e sonha em trabalhar com cinema.
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