16 de fev de 2016

#Cinema: O Regresso, de Alejandro Gonzales Iñárritu




Então que tá todo mundo falando que o Oscar de Melhor Ator por O Regresso (The Revenant, no original) já está no papo para Leonardo DiCaprio. A justificativa para tanta certeza se baseia em dois fatos: primeiro, que Léo já foi muito injustiçado pela Academia, sendo ignorado em atuações brilhantes, ao não ser ao menos indicado, e ao ser indicado, e perder a estatueta para outro colega. E, segundo, que o ex de Gisele Bündchen sofreu como um condenado e ficou horroroso ao dar vida ao explorador Hugh Glass. Reza a lenda que a Academia adora quando atores sofrem e ficam quase desfigurados para dar veracidade a seus personagens. Prova disso são os casos de Nicole Kidman e Charlize Theron, duas belas e, sem dúvida, excelentes atrizes, que conquistaram o Oscar de Melhor Atriz ao ficarem quase irreconhecíveis em As Horas (2002) e Monster - Desejo Assassino (2003) respectivamente.

Mas afinal, o novo filme de Alejandro G. Iñárritu, é bom? Bom, meus caros, isso já é outra história.

O Regresso narra a saga de sobrevivência do lendário explorador americano Hugh Glass, descendente de irlandeses e, a partir de agora, não os pouparei de spoilers, ok? A leitura é por conta e risco!

Em uma de suas expedições pelo gélido e desconhecido deserto americano, ele é brutalmente atacado por um urso e deixado por sua equipe de caça aos cuidados de três companheiros de expedição, para que fiquem com ele até a morte, a fim de lhe darem um enterro descente. O único que acredita que Glass pode sobreviver é seu filho Hawk, mas John Fitzgerald (Tom Hardy), o homem de confiança do comandante, acredita que ele não tem nenhuma chance de recuperar-se do violento ataque sofrido e, ao invés de ficar agonizando e retardando a volta dos demais para o acampamento, decide que o melhor é sacrificá-lo feito um animal. É o que Fitzgerald faz ao se ver sozinho com Glass: tenta matá-lo sufocado, mas é impedido pelo filho deste, que surge na hora. Em uma luta com o traidor John, Hawk é assassinado por ele na frente do pai, que desesperado e imobilizado, assiste a tudo aterrorizado, sem nada poder fazer.


Pouco depois, Fitzgerald convence Bridge, o outro explorador que ficou para ajudar Glass, que o mesmo não sobreviverá e que eles precisam deixar o deserto antes que sejam atacados pelos Arikaras, um bando de índios assassinos que atacam qualquer homem branco. À contra-gosto, mas muito assustado com a ameaça de um ataque, Bridge é ludibriado por Fitzgerald, e segue com ele de volta ao acampamento, deixando Glass para morrer sozinho.

À partir daí começa uma longa sessão de tortura para o público (pelo menos pra mim). Hugh Glass, todo dilacerado, recupera lentamente suas forças e tenta voltar ao acampamento com o único objetivo de vingar a morte do filho. Esperamos ansiosamente o encontro de Glass com Fitzgerald e sua redenção, mas até lá o cara se fode tanto, que a tal vingança acaba perdendo a graça. É tanto sofrimento, que Glass precisaria de mais duas horas e meia de filme só pra se vingar. Depois do massacrante ataque do urso, que já era mais que suficiente para deixá-lo destruído, ele ainda sobrevive a tiro, flechada, queda de um despenhadeiro junto com um cavalo e atravessa uma correnteza congelante para fugir de um ataque Arikara. Hugh Glass é praticamente o Superman, o homem de aço. Tudo isso em um cenário inóspito e claustrofóbico onde só se vê neve, neve e mais neve.

Alejandro G. Iñárritu, diretor do vencedor do Oscar no ano passado, Birdman, quis fazer um filme grandioso, que me pareceu mais pretensioso que qualquer outra coisa. Achei o filme longo demais, maçante e chato; nada me provocou uma emoção sincera, a não ser angústia. 

Sobre as atuações, estão realmente espetaculares, inclusive a de Tom Hardy, que é gato demais, ficou bem feio, e merece muito levar o prêmio de Coadjuvante. Quanto a Leonardo DiCaprio, é com dor no coração que digo, apesar de merecer o careca dourado, minha torcida não é pra ele. Mas isso eu conto em uma próxima resenha.

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Leandro Faria  
Esdras Bailone: leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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