25 de fev de 2016

#PrimeirasImpressões: 11.22.63





E parece que a Netflix vai ter um concorrente de peso no que diz respeito à produções originais via streaming. Isso porque o canal Hulu (concorrente direto da Netflix no setor) entrou forte na briga com a minissérie 11.22.63, adaptação da obra Novembro de 63, de Stephen King, que conta com nomes de peso como J.J Abrams, Bridget Carpenter, Chris Cooper, Josh Duhamel, James Franco e o próprio Stephen King na produção. 

Na trama somos apresentados a Jake Epping (James Franco), um professor de inglês com uma vida tão ordinária quanto se possa pensar. Alternando entre uma turma de adultos que provavelmente não conseguirão ter sucesso, independente de seus talentos e esforços, e uma turma de adolescentes que se importam mais com virais idiotas da internet do que com um conhecimento real, sua vida segue um rumo de inércia e percalços, passando pelo falecimento do pai e, como cereja do bolo, um divórcio.

Tudo indica que o auge do dia de Jake será um sanduíche de valor absurdo de $1.25, porém, tudo muda em uma questão de 2 minutos. Al Templeton (Chris Cooper), dono do restaurante, aparece dizendo que está com câncer e pede para o amigo cliente voltar no outro dia, quando o apresenta a um portal dentro do armário que leva diretamente para 21 de novembro de 1960. 

Nesse momento, confesso: achei forçada a forma que se desenrolam os eventos como, por exemplo, se Al tem um portal para o passado, seria mais compreensível que ele alterasse seu passado ao seu bel-prazer, entretanto, suas intenções são mais nobres e ele sempre quis impedir o assassinato de John F. Kennedy pois, ao seu ver, se JFK não morresse o futuro dos E.U.A seria completamente diferente, e talvez guerras não tivessem sido travadas, como a do Vietnã, por exemplo. Mas como Al já está com câncer em estágio avançado, ele tenta de qualquer forma convencer Jake a assumir sua missão, o que o protagonista se nega em primeiro momento, mas com a morte iminente de seu amigo ele assume essa empreitada.


A mecânica dessa viagem no tempo é bastante curiosa, pois não importa quanto tempo Jake passe no passado, nos dias atuais só terão se passado dois minutos. E se ele retornar para o presente e em seguida voltar para o passado, o ponto de partida sempre será o dia 21 de outubro de 1960. Apesar de esquisitinho, a maneira como o roteiro apresenta esse conceito o torna descomplicado e facilmente assimilável. 

A princípio tudo parece fácil no retorno aos anos 60 – ele tem dinheiro, informações privilegiadas que o fazem ganhar todas as apostas que quiser, documentos falsos e um guia completo do que fazer, já que Al passou por tudo aquilo antes dele. A questão é que Jake não é exatamente um herói, então comete alguns exageros, tem certa dificuldade em ser discreto e se mete em situações que claramente não vão terminar bem. 

O passado faz de tudo para não ser mudado, mas será que ele já não foi? Quase todas as obras que falam de viagens no tempo mostram que as coisas aconteceram daquela forma por causa da interferência do “elemento estranho”. Na tentativa de evitar uma desgraça, é muito provável que Jake se torne o responsável por ela. 

O choque cultural com que Jake se depara ainda se resume a pequenos detalhes, que vão de coisas simples que rendem bons momentos, como o valor do dinheiro e o preço das coisas, até temas mais complexos como a segregação racial da época. 

O episódio conta com uma narração que serve como guia de instruções para Jake, mas que não deve voltar a aparecer do decorrer da temporada, graças a uma mudança de rumo que vemos no arco final do episódio. A situação de Jake e seus objetivos ganham outros contornos quando ele percebe que não é tão fácil mudar o passado e que se for para fazê-lo, é melhor que seja por um objetivo menos abstrato do que sua missão inicial pedia.


O ritmo desse primeiro episódio é excelente, ágil, dinâmico, leve, mas muito bem estruturado para apresentar a proposta e os caminhos que pretende seguir, com quase uma hora e meia de piloto, mas nem sentimos o tempo passar. 

James Franco, para mim, foi a escolha perfeita para o papel. Com um jeito carismático e a habilidade de projetar com os olhos uma tristeza interna, Franco consegue criar um homem comum, em busca de respostas e que representa a ideia de que os homens mais comuns são capazes de fazer atos fantásticos e memoráveis. Além disso, por ensinar cursos em algumas universidades, James tem um brilho nos olhos sincero nas cenas em que está lecionando, possibilitando quem assiste a ter mais facilidade em se identificar com o personagem. E, por último, por ser fã da história de King, a motivação para o papel é grande e fica bem exposta na tela da TV. 

Outra coisa que agrada bastante é a ambientação. A fotografia é acertadíssima, e nos imerge realmente nos anos 60. Comemorei bastante ao saber que ao voltar para o portal tudo era reiniciado, impossibilitando que a história ficasse num vai e vem infinito, corrigindo qualquer pequeno erro que o personagem cometesse. Não podendo apagar apenas uma ação, os erros se tornam parte importante da trajetória e os impulsos humanos podem ser utilizados para dificultar um pouco mais a missão nada fácil de Jake. 

O fato é que a minissérie vai ter oito episódios e, se manter o ritmo desse piloto, tem tudo para cair nas graças dos fãs de Stephen King e de quem gosta de uma boa trama de suspense e investigação. Eu recomendo a todos, e numa escala de 0 a 10, ficaria com uma nota 8,5. 

Abraços e me contém o que acharam da série também!

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Leandro Faria  
Artur Lima: aficionado por cinema, música, seriados e livros, não nesta ordem, apaixonado por dias frios e chá. Estudante de Comunicação Social, acha que sabe de tudo e sonha em trabalhar com cinema.
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2 comentários:

Leandro Faria disse...

Eu terminei o livro de Stephen King e imediatamente (não estou sendo exagerado: eu terminei e dei play no primeiro episódio) comecei a ver a série.
E acho que esse foi o meu erro. Com o livro ainda muito fresco na memória, achei as mudanças (que são tantas vezes necessárias para se transpor um mídia impressa para o audio-visual) desnecessárias e, algumas vezes, absurdas.
Gostei do James Franco como Jake, mas achei a história muito incoerente perto do que li no livro.
Mas, sou brasileiro e vou continuar assistindo a série.
Vim aqui e reli seu texto que, como sempre, é ótimo.
Abração

Artur Lima disse...

Eu vou fazer o caminho inverso Leco, já terminei a série e vou ler o livro, mas gostei bastante da série =)

Abraço!

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