8 de mar de 2016

#Cinema: O Quarto de Jack, de Lenny Abrahamson





Tem filmes que são tão bonitos e emocionantes, que fica até difícil escrever sobre, mesmo assim vou tentar.

O Quarto de Jack (Room, no original) conta a história de Joy, sequestrada aos 17 anos, e mantida em cativeiro num quarto de 10m² pelos sete anos subsequentes. Frequentemente abusada por seu sequestrador, Joy engravida de Jack e cria seu menino dentro do cárcere por inacreditáveis 5 anos. Nesse período, Joy arranca forças do mais profundo amor materno, aquele que não somos capazes de mensurar se não formos mães, para tornar o mundo de Jack o mais normal possível sendo criado no espaço de um quarto minúsculo, sem ter a mínima noção do que é o mundo. Joy, é uma jovem de 24 anos massacrada, sem viço, de olhos opacos, dominada pela amargura e a desesperança, e ainda assim consegue encher a vida de Jack de carinho, proteção e ludismo.

No limite de suas forças para permanecer prisioneira, Joy traça um ousado plano de fuga, onde o pequeno Jack demonstrará sua coragem e esperteza. Livres do cativeiro, Joy terá que superar seus traumas e reaprender a ser mãe, reensinando o mundo ao pequeno Jack. Ambos, cada um com suas dores e dificuldades, experimentarão o amor de outra forma, um amor dividido com avós, bichos e vizinhos. Um amor que não é mais exclusivamente apenas dos dois, mas que reforça a certeza de que nada é mais forte que o amor de mãe e filho quando existe uma conexão real.


Essa conexão entre Jack e sua Ma é das coisas mais arrepiantes que se sente em O Quarto de Jack, e que me levou às lágrimas em vários momentos. Narrado pela ótica do menino, o apaixonante Jacob Tremblay, o longa pode ser encarado como uma alusão à gestação de uma mãe, que tem seu filho protegido do mundo enquanto ele está dentro de si, embora ela precise tomar certos cuidados e precauções para que ele nasça saudável. Joy tomou todas as precauções para que Jack crescesse bem e saudável na medida da normalidade possível dentro de uma situação tão anormal. Mas, ao sair do cativeiro, é como se ela desse à luz pela segunda vez, e Jack, como se estivesse saindo do confortável e quente ventre de sua mãe. Uma bela metáfora, que leva-nos a conclusão que o mundo e a liberdade podem ser assustadores mas são maravilhosos, e nenhum sofrimento, por mais doloroso e feio que seja, deve superar o milagre de viver e amar incondicionalmente.

Brie Larson levou o Oscar de Melhor Atriz 2016 merecidamente, pois seu papel foi bem difícil. Por mais que eu tente, não consigo mensurar a dor, revolta e tristeza de ter um pedaço de sua vida disposto por um psicopata ao seu bel prazer durante anos a fio. E, apesar de todo o sofrimento passados com o olhar por Joy, seus olhos diziam exatamente isso: não adianta tentar, ninguém nunca vai compreender a não ser que já tenha passado por isso. E quando uma atriz consegue falar com o olhar é porque ela é muito foda mesmo.

Prepare seus lencinhos e vá ao cinema conferir O Quarto de Jack. É lindo demais, daqueles filmes que te fazem amar o cinema!

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Leandro Faria  
Esdras Bailone: leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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1 comentários:

Thiago de Assumpção disse...

Status: Louco para ver esse filme, parece ser muito bom.
Ainda vou ver ele.

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