17 de mar de 2016

#Literatura: O Vilarejo, de Raphael Montes




No início desse ano, fui casualmente apresentado ao trabalho de Raphael Montes. Por indicação de um amigo (beijos, Silvestre Mendes), acabei lendo e me encantando por Dias Perfeitos, último livro lançado do autor, sobre o qual já falamos aqui. A história, perturbadora e muito bem contada, me fizeram anotar o nome do autor e procurar outros trabalhos dele assim que me fosse possível. Mas, com uma fila de livros para ler, acabei me esquecendo dele, até que me deparei com O Vilarejo e resolvi conhecer um pouco mais da obra da Raphael Montes. E, olha, que decisão acertada!

De cara, a sinopse do livro me chamou a atenção. Porque sim, eu adoro histórias de terror e suspense, mas são poucas as que eu efetivamente gosto e que me dizem alguma coisa. E foi o que aconteceu aqui, desde a proposta inicial da obra, que divido com vocês:
"Em 1589, o padre e demonologista Peter Binsfeld fez a ligação de cada um dos pecados capitais a um demônio, supostamente responsável por invocar o mal nas pessoas. É a partir daí que Raphael Montes cria sete histórias situadas em um vilarejo isolado, apresentando a lenta degradação dos moradores do lugar, e pouco a pouco o próprio vilarejo vai sendo dizimado, maculado pela neve e pela fome. As histórias podem ser lidas em qualquer ordem, sem prejuízo de sua compreensão, mas se relacionam de maneira complexa, de modo que ao término da leitura as narrativas convergem para uma única e surpreendente conclusão."
E que ideia maravilhosa teve o autor ao criar um livro de contos que é também um romance. Porque sim, apesar de ser formado por sete contos que podem ser lidos de maneira independente, cada um deles ~conversa~ com os demais, formando uma unidade maravilhosa da história peculiar da maldade e degradação desse vilarejo escondido no meio do nada em um tempo remoto e não muito especificado. Os personagens de cada conto convivem entre si e é fácil traçar a ligação entre cada um, história a história, inclusive sabendo o que acontece com eles depois que o seu próprio conto termina, graças à sua participação ou mera citação nos demais.

Fora que a escrita de Raphael Montes tem uma característica que eu admiro muito: ela nos envolve e nos faz querer ler mais e mais, sem nem notarmos o tempo e o avançar das páginas passarem. Sabe aquele tipo de livro que você fica louco pra terminar, mas com uma pequena tristeza porque quando isso acontecer não terá mais a companhia daqueles personagens? Então, Raphael faz isso com o seu texto.

Eu leio muito e, talvez por isso, sou meio chato com o que gosto com veemência. Normalmente crio ressalvas para mim e é difícil eu me render totalmente a um autor, querendo ler mais e mais do que ele escreve (para terem ideia, o último que me fez ter esse desejo absurdo de querer ler tudo por ele já escrito foi o maravilhoso David Levithan). Mas Raphael Montes entrou para esse grupo e agora estou aqui, ansioso para ler seu romance de estreia, Suicidas. Porque sim, mesmo sem querer, acabei conhecendo seus trabalhos na ordem inversa de seus lançamentos. Amei Dias Perfeitos, me encantei definitivamente com O Vilarejo e agora quero devorar Suicidas, já sofrendo por não saber quando será o lançamento de um novo trabalho do autor.

Se você gosta do gênero suspense/thriller/terror, faça como eu e embarque na mente perturbada desse jovem autor brasileiro. Você se impressionará com sua imaginação e dom para contar histórias. E é isso que nós, leitores, procuramos com ansiedade, não é mesmo?

O Vilarejo
Autor: Raphael Montes
Páginas: 96
Editora: Suma

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