8 de abr de 2016

#Cinema: Snoopy e Charlie Brown – Peanuts: O Filme, de Steve Martino





Quando, em 2 de outubro de 1950, o cartunista norte-americano Charles M. Schulz lançou uma tirinha em quadrinhos denominada Peanuts, inicialmente em sete jornais dos Estados Unidos, não imaginava que ela acabaria se tornando a mais influente tirinha em quadrinhos do mundo todo e uma das mais duradouras. No auge do seu sucesso, Peanuts era impressa por 2.600 publicações de 75 países, traduzida para 21 línguas e lida por aproximadamente 355 milhões de pessoas. 

Porém, a tirinha deixou de ser publicada definitivamente em 13 de fevereiro de 2000. Charles acabou morrendo em 12 de fevereiro do mesmo ano. Ele já não conseguia mais desenhar, porque estava com Mal de Parkinson. Em conjunto com a família, o autor resolveu que a tirinha não deveria ser continuada por outro cartunista. Em 2012, Craig Schulz, filho de Charles, Bryan Schulz, filho de Craig e neto de Charles, e Cornelius Uliano, amigo de Bryan, apresentaram um roteiro para um longa para Ralph Millero, executivo da Fox Animation Studios. Eles também sabiam que o diretor de Horton e o Mundo Dos Quem (2008), Steve Martino, um fã de Peanuts, gostaria de dirigir uma animação baseada nos personagens criados por Charles. 

Assim, o Charlie Brown, o inseparável beagle dele, Snoopy, o passarinho Woodstock, o filósofo Linus e seu cobertor azul, sua irmã, a mal-humorada Lucy, o pianista Schroeder, a esportista Patty Pimentinha e os demais personagens desta famosa tirinha acabaram migrando das duas dimensões para se tornarem três dimensões em Snoopy e Charlie Brown – Peanuts: O Filme.


O roteiro é simples e inocente. Não há pretensão em se fazer uma aventura épica, a simplicidade aqui é vista como algo a ser apreciado, isso porque Charlie Brown e sua turma levam a trama com naturalidade e fazendo o que eles fazem de melhor: sendo eles mesmos. A história é só um pano de fundo para vê-los em ação. Cada personagem carrega suas próprias características e todos são incrivelmente divertidos. Mesmo quem pouco sabe da existência de Linus, Lucy, Patty Pimentinha, Marcie, Sally, Linus e Schroeder sairá do cinema cativado por cada um deles. 

Tudo começa quando se muda para a casa ao lado da de Charlie Brown, uma nova menina. Esta é a oportunidade para que Charlie pudesse demonstrar que ele não é tão fracassado assim. Ao mesmo tempo, Snoopy, o ás da aviação, terá que enfrentar o seu principal inimigo nos ares, Barão Vermelho. Mas Snoopy não deixará de estar ao lado do seu dono nas diferentes empreitadas nas quais Charlie irá se meter para fazer com que a nova garota o perceba. 

O roteiro de Snoopy e Charlie Brown – Peanuts: O Filme foi maravilhosamente escrito, porque o trabalho realizado por Craig, Bryan e Cornelius não fugiu do espírito das tirinhas. A aguçada observação da realidade feita por Charles está integralmente presente nesta animação. Eles parecem não terem alterado em nada a personalidade de cada um dos integrantes da turma do Charlie Brown. Percebe-se o trabalho minucioso de estudo das 17.897 tirinhas produzidas e publicadas pelo cartunista. Porém, nem tudo é perfeito.


Um ponto negativo neste trabalho é que o filme parece ser para quem já conhece os personagens que formam a turma. O início do filme tem um ritmo rápido demais e os espectadores que não conhecerem os personagens além do Charlie Brown e o Snoopy só irão entender os demais personagens ao longo da primeira parte do filme.

Mas o diretor norte-americano Steve Martino foi muito minucioso no seu trabalho. Snoopy e Charlie Brown – Peanuts: O Filme tem um ritmo bom. A sensação de aventura fica presente o tempo todo. A edição realizada por Randy Trager (Rio 2) consegue manter essa sensação. Steve manteve o ritmo forte quase o tempo inteiro, só o diminuindo em uma parte da história em que faz sentido fazer isto. 

Snoopy e Charlie Brown – Peanuts: O Filme, pelos personagens icônicos, pela ideia de que mesmo sendo um perdedor não se deve jamais desistir, pela ideia de amizade e pelo clima onírico trazido pelo Snoopy, é uma animação que você não deve deixar de assistir.

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Leandro Faria  
Artur Lima: aficionado por cinema, música, seriados e livros, não nesta ordem, apaixonado por dias frios e chá. Estudante de Comunicação Social, acha que sabe de tudo e sonha em trabalhar com cinema.
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