5 de abr de 2016

#DocPop: Bette Davis - A Mulher Que Dominou Hollywood





Ela nasceu Ruth Elizabeth Davis, em Massachusetts, EUA, e se estivesse viva, completaria hoje, 05/04, 108 anos em seu aniversário. Bette Davis esteve muito a frente do seu tempo, interpretando mulheres de todos os tipos no ecrã, mas foram justamente as de temperamento bravio, sem papas na língua e arrojadas que lhe deram fama, talvez porque não diferenciavam muito do seu temperamento abrasivo.

Começou sua carreira na Broadway, em Nova York, até ser descoberta e levada para Hollywood e, mesmo os figurões da Universal Pictures não tendo se impressionado com a jovem, ela foi contratada para um pequeno papel em Garota Rebelde, que marcou também a estreia de Humphrey Bogart no cinema. Fez mais ainda alguns outros filmes para o estúdio e chegou a ser emprestada para outros, mas como não deslanchou seu contrato não foi renovado.

Acreditando que sua carreira seria mesmo no teatro e de malas prontas para voltar à Broadway, Bette Davis recebeu uma ligação de George Arliss que lhe convidou para um papel em seu novo filme, O Homem Deus, de 1932. Ele travou uma batalha com a Warner Bros para contratá-la, ninguém entendia o que ele via naquela atriz de grandes olhos brilhantes que fugia dos padrões de beleza imposto pelo star system e que até então não dissera a que veio. Mas ele estava decidido que ela seria a escolha certa para a personagem. Bette sempre foi grata durante toda sua vida a George por aquela oportunidade e o filme marcou uma parceria longeva da atriz com o estúdio.

Um fato curioso é que seu primeiro grande sucesso foi na RKO Pictures, um estúdio rival. Ela convenceu a todos na Warner a ser emprestada para estrelar Escravos do Desejo (1934). Todos ficaram impressionados com seu trabalho e, mesmo não indicada ao Oscar, uma campanha foi feita para que ela recebesse votos de qualquer maneira. Entretanto, o Oscar só viria no filme seguinte, Perigosa (1935), onde interpreta uma atriz com sérios problemas com álcool e que tenta dar a volta por cima com ajuda de um rico arquiteto. Mesmo se tornando vitoriosa, achava que não merecia o certame e que este seria uma espécie de prêmio de consolação por ter perdido no ano anterior.


O melhor, entretanto, estava por vir ao atuar em A Floresta Petrificada, de 1936, com Humphrey Bogart  e Leslie Howard. Apesar do sucesso, ela achou que a Warner não lhe dava o devido crédito, a escalando depois para filmes que considerava menores. Foi por isso que quis romper o contrato e iniciou uma batalha nos tribunais. Mesmo perdendo, acabou sendo vista com outros olhos pelo presidente da companhia, Jack Warner. 

A personalística Bette Davis conseguiu o que queria e recebeu um tratamento melhor ainda. Interpretou a mimada sulista Julie Marsden, em Jezebel (1938), com Henry Fonda, e há quem diga que este projeto foi uma forma de compensá-la por não ter sido escolhida para protagonizar E O Vento Levou. No entanto, ganhou seu segundo Oscar e nos bastidores do filme se apaixonou pelo diretor William Wyler. A partir de Jezebel se tornou uma das atrizes mais bem pagas de Hollywood, a mais rentável da Warner Bros e recebeu mais quatro indicações consecutivas, um fato único até os dias de hoje.

Seguiram então Vitória Amarga (1939), A Carta (1940), Pérfida (1941) e Estranha Passageira (1942), onde viveu uma mulher reprimida e solteirona dominada pela mãe, uma senhora extremamente austera. Poderosa, ao saber do projeto insistiu para fazer a personagem se envolvendo de tal maneira que escolheu seu próprio figurino. Neste filme proferiu a famosa frase:“Jerry, don’t let’s ask for the moon. We have the stars." Por todos estes filmes foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz.

A Vaidosa (1944), A Malvada (1950), Lágrimas Amargas (1952) também lhe renderam outras indicações. Em A Malvada   já não mais contratada da Warner — dividiu os holofotes com Anne Baxter, Celeste Holm e Thelma Ritter, todas também indicadas ao Oscar, entretanto nenhuma delas venceu. Foi também neste filme que ela proferiu outra de suas mais famosas frases: "Fasten your seatbelts, it's going to be a bumpy night!". Marilyn Monroe, desconhecida na época, conseguiu seu primeiro papel de destaque nesta produção, entretanto, ficou tão intimidada por trabalhar com a diva que errava suas cenas tendo deixado Bette Davis furiosa.


O Que Terá Acontecido a Baby Jane? (1962) foi sua ultima indicação ao Oscar no total de dez. Ela nunca perdoou Joan Crawford por perder aquela estatueta; a atriz, que não fora indicada, queria punir sua rival e fez campanha para que a amiga Anne Bancroft vencesse por O Milagre de Anne Sullivan. Se tivesse vencido, Bette Davis teria sido a primeira atriz a ter três prêmios da academia. Joan e Bette se odiavam há muito tempo, ninguém nunca soube o real motivo, mas era algo explícito. Davis dizia que sua inimiga havia dormido com todos os astros da MGM menos a Lassie.  O Que Terá Acontecido a Baby Jane? se tornou um sucesso de crítica e público, todos ávidos em ver nas telas o duelo das duas maiores estrelas do cinema. Tentaram reunir a dupla novamente em Com a Maldade na Alma (1964), contudo Joan declinou e Olivia de Havilland assumiu a personagem.

Nos anos posteriores realizou várias produções para a televisão e sua presença no cinemascope já não era tão marcante; dizia que Hollywood já não era a mesma, que os roteiristas que antes escreviam pensando nos atores para os personagens que criavam já não existiam mais. Em 1978 esteve em Morte Sobre o Nilo, adaptação da obra de Agatha Christie e, em 1987, ao lado de outro monstro sagrado, Lillian Gish, fez o belíssimo Baleias de Agosto, seu último grande papel no cinema.

Bette Davis casou quatro vezes. Depois de uma viagem à Espanha, onde receberia uma homenagem no Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, passou mal e sem condições de voltar para os EUA seguiu para França, onde faleceu no dia 06 de outubro de 1989. Seu corpo foi levado para os Estados Unidos para ser sepultada em Los Angeles, em sua lápide está escrito: She did it the hard way. O diretor Steven Spielberg comprou os dois Oscars vencidos por Bette Davis e os doou à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas para que ficassem sob os cuidados da instituição. Um gesto nobre para a mulher que sempre disse ter batizado o prêmio mais desejado do cinema.

O legado da atriz permanece irretocável ao longo dos anos, sua interpretação se tornou referência para muitas gerações seguintes e seus feitos se tornaram importantes e ajudaram a construir o que conhecemos como a indústria cinematográfica norte-americana, em outras palavras, Hollywood.

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Serginho Tavares  
Serginho Tavares, apreciador de cinema, para ele um lugar mágico e sagrado, de TV e literatura. Adora escrever. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência e com os pés bem firmes na terra.
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