22 de abr de 2016

#DocPop: Prince, Um Ícone da Música Se Despede





Nos anos 80, ele era um dos pilares da música pop ao lado de Madonna e Michael Jackson. Preferido dos críticos, por ser uma virtuose e tocar vários instrumentos, Prince Rogers Nelson não era uma pessoa fácil. Vendeu mais de cem milhões de álbuns e sua música unia o funk, R&B, new wave, jazz, soul, rock e hip hop muito bem.

Nasceu em Minneapolis e foi seu pai quem lhe deu sua primeira guitarra, formou uma banda e começou a se apresentar em pequenos clubes da cidade.  James Brown, Jimi Hendrix, Earth, Wind & Fire e Sly and Family Stone foram determinantes para o que ele ouvia na época. Ao trabalhar no estúdio de Chris Moon, este lhe apresentou a Owen Husney que, maravilhado pelo talento do baixinho, acreditou em seu potencial e resolveu investir nele. Seu primeiro disco pela Warner se chamou For You e foi lançado em 1978, não teve uma grande repercussão, mas mesmo assim ele era uma promessa, tanto que não desistiram dele, que pôde lançar um segundo trabalho, Prince, que conseguiu entrar na parada da Bilboard. 

Prince começou então a se apresentar na TV com seu visual multi-colorido e suas botas de salto alto, deixando as pessoas a se perguntarem quem seria aquela figura excêntrica. Em 1980 lançou um álbum de forte apelo sexual, Dirty Mind. Se no disco anterior era notória a influência de Sly and Family Stone, este era mais rock and roll. A controvérsia o seguiu forte e em 1981, ao abrir o show dos Rolling Stones usando apenas um casaco e cueca, o público não gostou e o vaiou até ele se retirar.

Rindo de tudo isso, o cantor lançou Controversy, cujo single do mesmo nome chegou às paradas internacionai. Entretanto, foi com 1999 que ele alcançou o estrelato e se tornou sucesso de crítica e público. Era o surgimento da MTV e ele soube muito bem usar este importante canal de mídia para explorar o aspecto visual dos seus trabalhos.


Mas isso tudo ainda era pouco para Prince, do alto dos seu 1,57. Ele lançou em 1984 um novo trabalho e um filme, Purple Rain, que vendeu mais de 20 milhões de discos e ficou aproximadamente seis meses em primeiro lugar nas paradas. No filme, Prince é a estrela de um drama juvenil. Ele é um músico talentoso que vive um romance conturbado. O cantor compôs a trilha sonora e dizem que ele se importava tanto com a opinião de Michael Jackson que quase desistiu de tudo ao saber que o cantor de Thriller não havia gostado da forma como as mulheres eram tratadas no filme. Contudo, ele não desistiu, o disco se tornou um dos cem melhores de todos os tempos segundo a revista Rolling Stone; os singles When Doves Cry. Let's Go Crazy e a música-título, Purple Rain alcançaram as primeiras posições dos rankings de música na época. Além disso, venceu o Oscar pela trilha sonora original.

Em 1986, Prince dirigiu e lançou o seu segundo filme, Under The Cherry Moon, um grande fracasso. A trilha sonora continha a música Kiss, que conquistou o primeiro lugar da parada norte-americana. No ano seguinte lançou outro filme e um álbum derivado deste chamado Sign O´The Times, que não teve uma boa repercussão. Naquele ano, Michael Jackson convidou Prince para trabalhar com ele em Bad, mas diferenças artísticas impediram que a parceria desse certo.

Prince era conhecido por ser perfeccionista; ele cancelou o lançamento de The Black Album em 1987 mesmo tendo sido impressas quinhentas mil cópias. O disco só foi lançado em 1994 de forma limitada. Lovesexy, seu novo projeto, não deu muito certo e a turnê que serviria para lançamento foi um imenso prejuízo. Mas ele fizera as pazes com o público e a crítica ao aceita trabalhar com Madonna em Like a Prayer, em 1989, álbum que se tornou um dos maiores sucessos da cantora, e criou a trilha sonora de Batman, de Tim Burton, mais um grande sucesso.

Tudo parecia ir bem para o incansável Prince, e ele anunciou que faria uma sequência de Purple Rain chamada Graffiti Bridge, dessa forma a Warner aceitou financiar o projeto, mas o filme foi mais um fracasso. A trilha sonora alcançou a sexta posição nos EUA e ficou em primeiro na Inglaterra. Em 1991 ele veio ao Brasil se apresentar no Rock in Rio, mas atrasou tanto que o público reagiu vaiando o artista, que se redimiu realizando um dos seus melhores shows.

Com The Love Symbol Album, alcançou o décimo lugar da parada americana, mas o que se deve registrar é que na capa já não havia seu nome e sim um símbolo impronunciável. Logo depois ele anunciou que desejava ser conhecido por este símbolo, uma união entre o masculino e o feminino. Ele se tornou "o artista anteriormente conhecido como Prince" ou simplesmente "o Artista". O motivo disso tudo foi a sua briga com a gravadora Warner sobre direitos autorais. Em face disso ele lançou uma série de discos sem grande repercussão.

Em 1996, se casou com Mayte Garcia, dançarina de sua banda. Ela deu a luz ao seu filho um ano depois que, infelizmente, morreu de uma rara doença. Esta tragédia desencadeou problemas conjugais que levaram ao fim do casamento.

Em 2000, com o fim de seu contrato com a Warner, ele voltou a usar seu nome e, em 2004, lançou Musicology, sucesso em vários países. Lançou uma turnê derivada deste álbum que também foi um grande sucesso. Prince voltava ao estrelato e se tornou o artista mais rentável daquele ano, algo que não acontecia desde os anos 90.

Com uma carreira não linear e controversa, Prince é considerado um dos mais talentosos músicos do mundo. Chegou a ser eleito pela revista Rolling Stone como um dos maiores artistas de todos os tempos. A qualidade de seu trabalho está impressa em todos seus álbuns, que valem a pena serem ouvidos por todos os tipos de público. Sua morte deixa uma grande lacuna na cena pop para um artista que influenciou tantos outros.

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Serginho Tavares  
Serginho Tavares, apreciador de cinema, para ele um lugar mágico e sagrado, de TV e literatura. Adora escrever. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência e com os pés bem firmes na terra.
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