20 de abr de 2016

#PrimeirasImpressões: The Path





E o serviço de streaming Hulu estreou mais uma série na sua grade, The Path, que tem um elenco de peso, é a nova produção do serviço, que investiu pesado na série e aposta nela para se firmar na concorrência com a Netflix. 

The Path mostra os bastidores de uma fictícia comunidade religiosa, o Meyerismo. Essa religião foi criada pelo Dr. Steven Meyer, autor do livro The Ladder, e é uma espécie de combinação de todas as religiões ditas alternativas, místicas, que trabalham com métodos de transe através de alucinógenos e outros procedimentos que, teoricamente, conectam as pessoas com forças ocultas e desconhecidas. Aparentemente está tudo bem nessa comunidade: eles se ajudam, ajudam os necessitados e vivem em harmonia. Mas, como em tudo nesse mundo, ela tem segredos que precisam ser revelados. Senão, não tem série. 

A trama é centrada em Eddie Lane (Aaron Paul), um cara convertido ao Meyerismo, com um passado problemático. Perdeu o pai, o irmão e, quando achava que tudo estava perdido, encontrou Sarah Lane (Michelle Monaghan), que nasceu em uma família Meyerista. Tem importante relevância dentro da religião, assim como Cal Roberts (Hugh Dancy), líder não-oficial da comunidade. Cada um deles terá que lidar com seus conflitos internos que testarão sua fé, principalmente no caso de Eddie, que começa a não acreditar em nada do que está vendo, e vai atrás da verdade. 

As atividades da comunidade Meyerista, apesar de aparentemente benéficas, começam a ser investigadas pelas autoridades. Além disso, algumas atitudes de Cal são moralmente questionáveis e, com o passar do tempo, essas atitudes e conflitos internos devem eclodir em eventos imprevisíveis para todos. Será que veremos a dita comunidade perfeita ruir diante de nossos olhos?


Apesar de ser dita muita coisa, nos dois primeiros episódios ainda fica oculto no que o grupo realmente acredita. Eles acreditam em Deus? Não se sabe. Segundo Cal Roberts, a sociedade vê apenas uma sombra do que é real, basicamente uma ilusão, dando a entender que há algo muito maior por trás das coisas, mas isso é o que toda religião diz, não é? Bom, no caso do movimento Meyerista, com o que foi mostrado até agora, como na utilização de aparelhos na cabeça (como uma lavagem cerebral), é palpável a comparação com a Cientologia; se a série vai seguir por este caminho não sabemos, mas ela deixa muitas brechas tanto para isso, quanto para qualquer coisa. As possibilidades são muitas, não sentia esta ânsia por saber o que está acontecendo, desde a primeira temporada de True Detective

E assim a história segue, cheia dos seus mistérios e prendendo o telespectador até o fim de cada episódio. A única coisa que senti dificuldade em gostar é a forma com que o tom da série é estabelecido; ela consegue ser totalmente obscura em alguns momentos e isso é a coisa boa, mas em outros momentos onde é livre do aspecto pesado da trama, não consegue dar esta segurança sobre o tom. 

Hugh Dancy rouba a cena com seu personagem carismático e obscuro ao mesmo tempo que, obviamente tem diversas facetas que vão ser abordadas com o passar dos episódios e explicar o que o torna tão parecido com um psicopata. 

Aaron Paul está magnífico como sempre, um ator que definitivamente se encaixa no quesito drama, não poderia imaginar ninguém melhor para o papel de Eddie Lane. O personagem de Paul começa a ter dúvidas sobre o movimento Meyerista logo depois de uma visão, o que o faz ir atrás de perguntas e, consequentemente, acaba revelando uma ‘suposta’ conspiração sobre o movimento, que inclui perseguição e até assassinatos de indivíduos anteriormente ligados à comunidade, algo também similar com a Cientologia que já foi acusada de perseguir e ameaçar as pessoas que saíram do grupo. 

Algo que a série usa como artifício são as alucinações de Eddie, uma em especifico no segundo episódio onde ele está levando uma lavagem cerebral. Aparentemente isso já foi feito com ele antes, o que nos faz pensar se a paranoia de Eddie é realmente real, já que nada conclusivo sobre assassinato dos Meyeristas foi comprovado. 



Um destaque ainda maior é a atuação de Michelle Monaghan, que interpreta a mulher de Eddie, Sarah Cleary. A princípio, grande parte do primeiro episódio corre sobre o ponto de vista dela, que assim como nós, pretende descobrir o que se passa com Eddie, e acaba chegando à conclusão que está sendo traída. Este ponto é fundamental para entregar o estilo de narrativa da trama, que se desenvolve aos poucos e logo vai revelando parte por parte do ponto de vista de qualquer outro personagem, aliás esta unificação de narrativas é tão bem feita que você nem sente a distribuição de tempo de cada personagem na tela, é muito bem equilibrada, ainda mais combinada com a edição de cenas que mostra alguns acontecimentos fora de hora, bem depois de seu termino se encaixando com a cena atual. 

Reconheço que The Path não é para todos. Compreendo os leitores que não vão gostar. Tudo indica que este drama será difícil de engolir para muitos em um futuro a médio e longo prazo, porque lidará com temas relativamente polêmicos e delicados, e tende a apresentar escolhas de seus personagens que não devem agradar a todos. Mas acho justo e válido que uma série de televisão faça esses questionamentos. 

The Path tem 10 episódios em sua primeira temporada, os dois primeiros foram ao ar no dia 30 de março e, em seguida, um de cada semana seguinte. Que venham os próximos episódios!

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Leandro Faria  
Artur Lima: aficionado por cinema, música, seriados e livros, não nesta ordem, apaixonado por dias frios e chá. Estudante de Comunicação Social, acha que sabe de tudo e sonha em trabalhar com cinema.
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