13 de mai de 2016

#BaúPop: Histórias de Amor, de Josh Radnor





Era 2012, quando estreou nos cinemas americanos um filme dirigido e estrelado por Josh Radnor, o Ted, do seriado americano How I Met Your Mother. Josh já tinha se aventurado como diretor em um filme chamado Tudo Acontece em Nova York (Happy Thank You More Please, no original), de 2010, onde teve uma boa atuação e certamente lhe trouxe experiência. 

Desta vez, o ator/diretor chegou aos cinemas americanos com o filme Histórias de Amor (Liberal Arts, no original), um drama/comédia que conta a história de um homem com mais de 30 anos e que ainda não se encontrou na vida. Em busca de respostas sobre quem é e o que faz, ele aceita um convite de um ex-professor da universidade para ir a um jantar onde comemorarão a aposentadoria do velho tutor. De volta à universidade, Jesse conhece Zibby, uma aluna de 19 anos que o encanta com o seu jeito de ser e modo de pensar. Agora ele terá de conflitar seus sentimentos, entender quem é e saber se fica ou não com a jovem. 

Como mencionado no começo do texto, esse é o segundo filme de Josh como diretor e roteirista, e em ambos é possível vermos similaridades. A primeira destas similaridades é o amor de Josh pela cidade de Nova York, além do fato de os personagens interpretados por Josh nos dois filmes terem essa conexão emocional com a cidade. Em Histórias de Amor, trata-se de uma ligação um pouco mais conflituosa, por ele estar mais perdido, porém, a paixão pela cidade é descrita em seus filmes de forma muito óbvia e, sem dúvida, não temos evolução de um filme para o outro neste sentido.


Outro ponto que chama a atenção é que os personagens são sempre parecidos. Um jovem meio perdido que sofre com uma situação pouco rotineira e acaba entendendo a si mesmo, o que leva a um crescimento pessoal. Josh explora isso de maneira muito similar. Se você assiste ao seriado How I Met Your Mother e depois vê Tudo Acontece em Nova York ou mesmo Histórias de Amor, você verá a mesma persona, só que com nomes diferentes, só tendo uma contraposição, pois enquanto Ted Mosby procurava por sua mulher ideal e cresce como indivíduo de acordo com sua trajetória nesta busca, em ambos os filmes o personagem de Josh parece estar mais perdido em relação ao mundo, ou seja, está em busca de crescimento pessoal e não na idealização de uma mulher ou relacionamento aceitável, mesmo que esse conflito acabe surgindo em Histórias de Amor. 

O sentimento nostálgico que a trama consegue transmitir é espetacular e, aqui, a jornada de Jesse é uma montanha russa. Ao conhecer Zibby, o homem volta a viver de uma maneira que não vivia há muito tempo e, atrelado ao personagem zen de Zac Efron, Nat, que pode representar o próprio lado adormecido, juvenil e aventureiro de Jesse, ele se reencontra com um espírito de coragem e bravura que os adultos vão perdendo aos poucos. Além do próprio espírito entusiasta, questionador, crítico e apaixonante reconquistado em Jesse através de Zibby.


Contudo, entra o professor Peter já quase no final do passeio na montanha russa para colocar o antigo aluno de volta nos trilhos. “Ninguém se sente um adulto. Esse é o segredo sujo do mundo”, palavras duras do próprio professor que mostram que, embora para todo mundo, não importa a idade, há incertezas e insegurança, conforme o ser humano vai amadurecendo, ele se policia e contém mais certos impulsos que jovens não pensam duas vezes antes de se jogarem de cabeça. 

A história é uma delícia, leve e despretensiosa, porém, com um final amargo e, de certo modo, moralista quanto ao julgamento de relacionamentos entre duas pessoas de diferentes idades. Ainda assim, vale a pena ser visto pelas questões que propõe. Não se deixe enganar, o título nacional engana, este não é um longa sobre amor, mas um drama reflexivo sobre a vida.

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Leandro Faria  
Artur Lima: aficionado por cinema, música, seriados e livros, não nesta ordem, apaixonado por dias frios e chá. Estudante de Comunicação Social, acha que sabe de tudo e sonha em trabalhar com cinema.
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