9 de mai de 2016

#Cinema: Capitão América - Guerra Civil, de Joe Russo & Anthony Russo





Especializada em marketing e em super produções, a Marvel conseguiu  mais uma vez. Depois de preparar o terreno com inúmeros filmes solo e de seus personagens principais reunidos como Os Vingadores, o estúdio conseguiu o que já é apontado como o longa mais consistente e bem realizado com seus principais heróis. Porque sim, Capitão América - Guerra Civil é um longa essencial e que compensa em suas quase duas horas e trinta minutos toda a espera dos fãs.

Antes de continuar com o texto, entretanto, preciso fazer um adendo. Eu não sou um fã. Eu assisto aos filmes do estúdio (e não são todos, deixo claro), mas sem nenhuma ansiedade ou sofrimento. Eu não conheço os personagens à fundo, suas histórias em quadrinhos, o universo Marvel fora das telas. Sendo bem, mas bem sincero mesmo, eu não vi sequer os outros dois Capitão América inteiros, apenas pedaços eventuais enquanto zapeava pela minha televisão. E é como um leigo, que gosta apenas de uma diversão descompromissada quando vou ao cinema, que analiso Capitão América - Guerra Civil. O que, convenhamos, é até coerente, já que um filme deve falar por si mesmo, não através de histórias em quadrinhos que nem todos os espectadores (beijos, leitores) conhecem antecipadamente. E acho que esse é o grande trunfo do filme: ele funciona, até mesmo para mim, que não tinha muita referência antecipada sobre o que estava para acontecer.

Lembro que, apesar de ter gostado muito dos filmes dos Vingadores, algumas coisas me pareceram meio apressadas. Eram muito personagens surgindo e sendo jogados na tela, sem desenvolvimento, parecendo estarem ali apenas para agradar aquele fã que diria "ei, olha a Feiticeira Escarlate!" ou "que maneiro, ali está o Hulk". Por isso, me surpreendi em como Capitão América - Guerra Civil trabalha bem o número considerável de personagens, com eles ali sem necessariamente parecerem apenas uma participação para agradar aos fãs. 


A trama, que todo mundo já deve conhecer, parte de um problema advindo dos acontecimentos dos filmes anteriores, mas que voltam à tona graças a uma batalha que abre o novo longa. Civis estão morrendo devido aos atos dos Vingadores ao tentar salvar a humanidade. O filme traz aqui aquele sentimento que eu sempre tive ao ver filmes de super-heróis: porra, que maneiro, mas e as pessoas que estavam naquele prédio que desabou? Porque o herói vence o vilão, salva o mundo, vai pra casa para a sua vida e seus dramas, mas e as pessoas que morreram para que isso acontecesse?

Devido a uma crise em Angola, em que uma bomba explode matando diversas pessoas enquanto os Vingadores tentam evitar um roubo de armas biológicas, a ONU é acionada para tentar "controlar" os Vingadores. Eles tem de aceitar agir apenas como convocados e não em causa própria, evitando assim a perda de vidas inocentes. É aí que surge um embate, já que o Capitão America e o Homem de Ferro divergem sobre a assinatura ou não desse tratado. Claro que, nesse meio tempo, um novo vilão surge, com uma motivação que só descobrimos no final, fazendo com que o Capitão América e o Homem de Ferro coloquem-se realmente em combate para tentar resolver a situação que se instaurou.

Os efeitos especiais são espetaculares, o visual maneiríssimo e o enredo nos prende desde o início. Fora que aqui, como eu citei anteriormente, os novos personagens (e os que já apareceram nos filmes solo e "menores" da Marvel) são apresentados de maneira orgânica, fazendo sentido para a trama, mesmo que só ocupem pouco tempo de tela. O Pantera Negra e, em especial, o novo Homem-Aranha, são dois excelentes exemplos disso. O Homem-Aranha, aliás, é um achado, já que a aparição do adolescente deslumbrado com aquele monte de super-herói ao seu lado, serviu para aguçar a nossa curiosidade para um novo filme solo estrelado pelo rapazinho.

Para fãs dos super-heróis ou simplesmente para quem curte uma boa aventura com personagens cativantes, Capitão América - Guerra Civil cumpre bem o seu papel de entretenimento de qualidade, algo em que os estúdios Marvel estão se especializando. Vale o tempo e o ingresso. Mas, prepare-se, porque você sairá curioso para os próximos passos de todos aqueles personagens. 

Pois é, eu disse, a Marvel conseguiu. De novo.

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Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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2 comentários:

jair machado rodrigues disse...

Meu querido Leandro amei este post sobre o Capitão América, de longe meu favorito, desde sempre, mas adoro a ingenuidade do Homem Aranha, ele também é fã do Capitão rs. Gostei de tua visão humana, onde ficam ou morrem aquelas pessoas dos prédios demolidos com os embates dos super heróis. Muito bom mesmo, este post, eu adorei.
ps. Carinho respeito e abraço.

Paulo Adriano Rocha disse...

Ótima review, Leandro. Sem aqueles blablablás chatos de fãs leitores. Meu pensamento é igual ao seu: o filme tem que falar por si só. Não tenho que saber nada anteriormente (embora eu tenha visto todos os outros filmes). Eu não vou pra o cinema pra me preocupar com o que está em outras mídias, vou ali pra me divertir e curtir a história.
Super curti as participações do Pantera e do Aranha. Dois extremos muito bem aproveitados. Ah, essa Marvel... Como você disse: ela conseguiu. De novo.

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