3 de mai de 2016

#Cinema: Truman, de Cesc Gay





Truman reúne dois dos mais talentosos atores de língua espanhola da atualidade, o argentino Ricardo Darín e o espanhol Javier Cámara, junte-se a isso o roteiro sensível e a direção precisa do cineasta Cesc Gay e temos um filme que consegue tirar graça de uma situação trágica e dolorosa.

Julián é um ator argentino, radicado em Madri. Separado e com filho adulto vivendo em outro país, ele vive só, com seu inseparável cão, Truman, um bullmastiff dócil e bonachão. Portador de um câncer terminal, Julián tenta encarar a morte da forma mais natural possível.

Com a chegada de Tomas, seu melhor amigo de infância, vindo do Canadá para passar alguns dias com ele, instaura-se um clima de despedida, que Julián faz de tudo para que não se torne melancólico.

A maior preocupação de Julián é com quem deixar Truman após sua morte. Durante os dias que passa com o melhor amigo, Tomas acompanha ao seu lado sua saga para encontrar um novo dono para Truman. Em meio a esta procura acontecem reencontros importantes e significativos para Julián e diálogos emocionantes e divertidos entre os amigos.

Embora envolta num clima de melancolia, a história arranca boas gargalhadas com as brilhantes interpretações de Darín e Cámara, num texto certeiro e tocante, que também nos põe a pensar de que forma reagiríamos com a certeza da morte iminente de alguém próximo e muito amado. Vemos no filme duas reações bem diferentes, a de Paula, prima de Julián, que o tempo todo liga pra saber como ele está e se tem tomado os remédios, controlando-o fortemente, não aceitando sua decisão de parar com o tratamento e expondo toda sua emoção, num momento de desabafo, revoltada com a situação e o conformismo do primo. E o posicionamento de Tomas, que o tempo todo fica ao lado do amigo, apoiando-o em todas as decisões. Visivelmente abalado e triste, porém, sempre contido em suas emoções, Tomas nos passa em seus olhos quase sempre marejados a angústia de estar perdendo seu melhor amigo.


Num dos diálogos que acontecem logo no início do filme, estabelece-se bem a personalidade dos amigos, que dá todo o tom à película. É mais ou menos isso:

Julián: Eu aprendi muito com você.
Tomas: Comigo? O que? 
Julián: A não cobrar nada. Você não cobra nada. Está sempre apoiando as pessoas, é generoso. E você, o que aprendeu comigo?
Tomas: Eu? Nada, absolutamente nada, a não ser coisas ilegais e imorais.
Julián: Como não?
Tomas: Aprendi a ser corajoso. Você é a pessoa mais corajosa que conheço.

Truman é uma bela história de amizade e sobre nossas atitudes diante da finitude da vida, feita pra nos fazer rir e chorar. Venceu o prêmio Goya, o Oscar da Espanha, em cinco categorias: Melhor Filme, Diretor, Roteiro Original, Ator e Coadjuvante.

Com todas essas referências, não perca mais tempo, vá conferi-lo imediatamente, só não esqueça o lencinho.

Leia Também:
Leandro Faria  
Esdras Bailone: leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
FacebookTwitter


1 comentários:

jair machado rodrigues disse...

Roteiro interessante, vou querer ver.
ps. Carinho respeito e abraço.

Share