23 de mai de 2016

#Literatura: O Quarto Dia, de Sarah Lotz





Tempos atrás, quando terminei a leitura de Os Três, de Sarah Lotz, fiquei com uma sensação estranha. Eu havia adorado a história, tanto é que disse isso em minha resenha do livro por aqui. Mas, ao mesmo tempo, eu precisava de mais. O enredo, macabro, era envolvente e a história, viciante. Entretanto, o final em aberto, apesar de funcional para o livro, deixava tantas possibilidades que eu precisava ler mais de Sarah Lotz e do mundo que criou. Assim, quando soube de O Quarto Dia, livro mais recente da autora, eu quis correr para conferir, ansioso para ler uma nova história tão boa quanto a primeira. E me surpreendi duplamente, já que o livro é excelente e, de uma forma não explícita, uma ~continuação~ de Os Três

É reveillon de 2016 para 2017. Um cruzeiro, lotado de tripulantes e passageiros, sofre uma pane estranha às vésperas do ano novo, o quarto dia do cruzeiro, e, a partir daí, coisas estranhas começam a acontecer. Sem contato com a costa e com os ânimos se exaltando a cada minutos, acompanhamos nas páginas de O Quarto Dia a visão de alguns personagens dessa história, sempre identificados no início de cada capítulo. Algo muito errado aconteceu. Mas o quê, nenhum deles sabe bem e, movidos por motivos particulares, tentam sobreviver àquela estranha experiência.

Se em Os Três tínhamos uma espécie de livro-documentário, onde acompanhávamos transcrições, reportagens e entrevistas de domínio público de pessoas ligadas aos eventos que ficaram conhecidos como Quinta-Feira Negra, em O Quarto Dia temos uma narração em terceira pessoa (pelo menos na maior parte do livro), que nos seduz de cara e nos deixa curiosos página a página. E há no novo trabalho de Sarah Lotz referências claras ao seu best seller anterior, como a própria Quinta-Feira Negra que, na trama, aconteceu quatro anos antes, mas ligeiramente diferente da que fomos apresentados no outro livro. É essa a graça da história.

Para quem leu Os Três, a parte final de O Quarto Dia é reveladora. Mesmo não explicitamente, estão ali muitas respostas à perguntas que ficaram no ar no livro anterior, esclarecendo os motivos dos acidentes de aviões daquela narrativa e, principalmente, sobre as crianças que sobreviveram à tudo aquilo. Ampliando absurdamente o universo criado em seu primeiro livro, aqui Sarah Lotz nos apresenta infinitas possibilidades narrativas, principalmente no capítulo final da história, que nos deixa ansiosos para um possível novo livro que, por que não, poderia aprofundar ainda mais a mitologia criada até aqui, nos dando mais respostas em meio a novos mistérios. Não sei vocês, mas eu adoraria ler.

De qualquer forma, não ache que O Quarto Dia é uma continuação direta de Os Três. Apesar de complementares, é possível ler os livros separadamente, gostando de cada uma das histórias por si só. E isso, devo acrescentar, é um grande mérito de sua autora que, já aclamada por Stephen King, se mostrar uma excelente contadora de histórias sobrenaturais.

O Quarto Dia
Autor: Sarah Lotz
Páginas: 352
Editora: Arqueiro

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Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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