22 de jun de 2016

#BaúPop: Eclipse de Uma Paixão, de Agnieszka Holland





Leonardo DiCaprio, que já estava na indústria há algum tempo (ele já havia até sido indicado ao Oscar por Gilbert Grape) e queria mostrar que era um grande ator. Foi, provavelmente isso, que fez com que aceitasse personificar o poeta Arthur Rimbaud neste filme de 1995.

Rimbaud foi um poeta francês de comportamento livre de meados do século XIX, que chegou a influenciar não apenas a literatura, mas também a música e demais artes modernas com seu pensamento anárquico, chocando a sociedade com sua maneira desgrenhada de se vestir. Ele conheceu o também poeta Paul Verlaine ainda jovem, que se encantou com ele a ponto de deixar sua esposa e filho. Tornaram-se amantes, indo viver em Londres na mais completa pobreza. 

Verlaine era um bêbado contumaz e, durante suas crises de ira, sua esposa e filho sofriam os maiores abusos. Ele e Rimbaud consumiam absinto e haxixe e levaram uma vida ociosa até antes de irem para Londres. Lá, o jovem Rimbaud passou dias na sala de leitura do Museu Britânico porque "calor, luz, penas e tinta eram de graça". 

O convívio dos escritores também era repleto de altos e baixos devido ao emocional inconstante de ambos, o que foi muito bem retratado no filme da cineasta polonesa Agnieszka Holland, onde vemos um Verlaine (David Thewlis) que se entrega ao jovem Rimbaud, defendido por Leonardo DiCaprio. 

Centrado no forte relacionamento dos dois poetas, Eclipse de Uma Paixão (Total Eclipse, no original) não foi feito para grandes plateias e só ganhou mesmo grande notoriedade quando Leonardo DiCaprio alcançou o estrelato com Titanic, alguns anos depois. A partir daí, todo o público começou a querer conhecer mais sobre aquele jovem ator. A história tem como base as cartas trocadas pelos poetas até o momento em que se separam. O que impede o filme de ser mais interessante, já que a história dos escritores por si só bastaria para encantar um enorme público, é mesmo o roteiro que preferiu ser desconexo, fazendo com que o espectador não crie um vinculo maior com o par central.

Leonardo DiCaprio recria um personagem adolescente imaturo e mimado, enquanto David Thewlis é um homem romântico que se apaixona repentinamente. O que os impede de ir além disso é a natureza fraca do roteiro, que carece de mais informações para que o elenco possa ir mais fundo em personalidades tão complexas. A esposa de Verlaine, por exemplo, poderia ter sido melhor aproveitada, mas é tão secundária que se fosse retirada do filme não faria a menor falta ao enredo do filme. Como foi dito anteriormente, o roteiro apenas quis se manter nas figuras centrais de Rimbaud e Verlaine e na paixão avassaladora que tiveram.

Entretanto, mesmo sendo um trabalho menor da rica filmografia de Leonardo DiCaprio, é válido por mostrar que o ator, já desde o início de sua carreira, sempre buscou se arriscar, procurando projetos ousados que acrescentassem algo ao seu trabalho.

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Serginho Tavares  
Serginho Tavares, apreciador de cinema, para ele um lugar mágico e sagrado, de TV e literatura. Adora escrever. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência e com os pés bem firmes na terra.
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1 comentários:

jair machado rodrigues disse...

Confesso não achar muita graça no Léo (intimidade rs), mas gosto de literatura e Rimbaud e Verlaine fizeram parte de minha formação póetica. Não sabia do filme, vou procurar. Obrigado.
ps. Carinho respeito e abraço.

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