21 de jun de 2016

#Cinema: Queda Livre, de Stephan Lacant





Histórias de amor são universais. Desde Romeu e Julieta aprendemos a torcer por histórias impossíveis de amantes improváveis, enternecidos por suas mazelas de não realização do amor desejado. Para o público LGBTTTIS, os longas em que são retratadas histórias com gays são ainda mais apreciados, já que é pouco usual que filmes do tipo ganhem as telas, principalmente com grande visibilidade (e a exceção de O Segredo de Brokeback Mountain, por exemplo, confirma a regra).  

Queda Livre (Freier Fall, no original alemão, ou Free Fall, em inglês, como o filme é conhecido pela maioria), do diretor alemão Stephan Lacant, poderia ser mais um filme que passaria longe de um grande público, mas, graças ao sucesso mundial do ator Max Riemelt em Sense8, a série sensação da Netflix, esse filme de 2013 ganhou mais visibilidade anos depois de ser lançado, o que é uma maravilha, pois a obra merece a sua atenção.

Comparado por muitos com o já citado Brokeback Mountain, Queda Livre acompanha a improvável relação de dois policiais alemães que se conhecem em um treinamento, Marc Borgman (Hanno Koffler) e Kay Engel (Max Riemelt). Fica visível que Kay logo se encanta com Marc, criando um jogo de sedução que confunde e excita o segundo, que não lida muito bem com o que está vivendo, já que mora na casa dos pais juntamente com a namorada, que espera o primeiro filho do casal. É claro que essa não seria uma história de amor fácil. 

Lidando com a questão da homofobia dentro de uma corporação como a polícia alemã, Queda Livre é muito feliz ao desenvolver seus temas de maneira sensível e tocante. Toda a descoberta dos desejos de Marc por Kay são feitas de forma verossímil, a ponto de acreditarmos naquela relação aparentemente movida pelo tesão, mas que é bem maior que isso. 

Além disso, os atores estão muito bem em seus papeis. Se Max Riemelt vive o gay bem resolvido dentro da polícia alemã, Hanno Koffler transmite todos os conflitos internos de seu personagem ao se ver atraído por outro homem. Além disso, o elenco coadjuvante, principalmente Katharina Schüttler, que vive Bettina, a namorada de Marc, está muito bem. 

Apesar de não ter um final propriamente feliz, Queda Livre foge da armadilha de apresentar um final trágico, quase um clichê dos filmes do gênero. É um filme duro, com um final que passa longe do felizes para sempre, mas que acena que sim, a vida é difícil, mas que é possível sobreviver às suas intempéries. 

Moral da história: é um filmaço, não perca! Está disponível na Netflix.

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Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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2 comentários:

CriaGyn disse...

VAI CURINTIANS

Bruce Carvalho disse...

Gostei demais desta crítica. Parabéns!! Assisti ontem ao filme. Vejo as pessoas dizendo que estão cansadas de finais trágicos para filmes do gênero (fato). Mas este não foi um final trágico. Foi justamente isso que vocês disseram. "Por mais difícil que pareça ser, é possível sobreviver às intempéries.

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