28 de jun de 2016

#Literatura: Suicidas, de Raphael Montes





Sabe aquela sensação de terminar um livro que você gostou muito? Uma mistura de felicidade, por ter chegado ao final da obra, misturado com uma leve tristeza, também por ter encerrado aquela leitura, tendo de abrir mão daquele universo e personagens que, durante algum tempo, lhe foram tão familiares? Pois estou vivendo isso nesse momento, culpa do Raphael Montes e desse livro maravilhoso chamado Suicidas.

Comecei esse ano de 2016 com um livro do Raphael Montes, Dias Perfeitos, uma obra que me deixou bastante curioso para ler mais do autor. E, se eu já tinha gostado desse primeiro livro, quando li O Vilarejo, aplaudi ao jovem autor carioca, que conseguiu me surpreender ao apresentar um livro que me deixou realmente interessado e boquiaberto em seu final.

Assim, ler Suicidas, o primeiro romance de Raphael, era apenas questão de tempo. Eu já havia lido muito a respeito da obra, mas como não encontrava o livro para Kindle, fui deixando para ler depois, até que a hora finalmente chegou. E, nossa, putaquepariu, caralho, que livro maravilhoso. Só para terem uma ideia, comecei a ler Suicidas em uma sexta-feira, no metrô, indo para o trabalho. No sábado a noite eu já havia terminado a leitura, triste porque aquela história e personagens não mais me fariam companhia.

O assunto é pesado, mas a mão de Raphael Montes é precisa. Nove jovens cariocas resolvem se suicidar em uma "brincadeira" de roleta russa. Um ano depois, ainda tentando entender o que aconteceu, a delegada Diana Guimarães reúne as mães de todos eles, buscando elucidar o caso. E é a partir dessa reunião, onde são apresentados os capítulos de um livro, escrito em tempo real por Alessandro Parentoni, um dos suicidas, enquanto a roleta russa se desenrolava, que vamos acompanhando o desenrolar dessa história envolvente e absurda, mas que poderia muito bem ser real.

Apresentando um estilo narrativo interessante, Raphael nos leva, nas páginas de Suicidas, em três linhas narrativas: a reunião da delegada com o grupo de mães, a leitura dos capítulos escritos por Alessandro enquanto a roleta russa acontecia, e também pelas páginas do diário do próprio Alessandro, sem ordem cronológica, mas que explicam alguns acontecimentos que poderiam ficar soltos sem essas informações.

Sem medo de errar, Suicidas é, sem sombra de dúvidas, o melhor livro que li esse ano. É maravilho e tem um final que, juro, vai te deixar boquiaberto. Eu mesmo não conseguia entender os meus sentimentos com o que havia acabado de ler, vibrando e, ao mesmo tempo, chocado com a revelação dos dois capítulos finais.

Ou seja, não se prive e saiba que, ao topar encarar as páginas desse romance, você terá inúmeras surpresas, como se estivesse vivendo uma verdadeira roleta russa literária. Acredite, isso é maravilhoso!

Suicidas
Autor: Raphael Montes
Páginas: 487
Editora: Benfirá (Saraiva)

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Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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