7 de jul de 2016

#PrimeirasImpressões: A Terra Prometida





Não assisti a nenhum capítulo de Os Dez Mandamentos, a falada novela da Record, apenas algumas cenas soltas. Mas com o sucesso da saga bíblica, decidi que assistiria pelo menos a um capítulo completo de sua substituta, A Terra Prometida, para tentar desfazer a péssima impressão que tenho dessas produções temáticas do canal e, a despeito de minha má vontade com as tramas bíblicas da TV do Bispo, a estreia da última terça-feira (05/07) da nova novela da Record me surtiu impressão positiva.

Como já mencionado em outros blogs, como a coluna de Nilson Xavier, no UOL, a atual produção da Record é superior à sua antecessora, em todos os quesitos. Direção, caracterização, cenários, fotografia, texto e atuações de A Terra Prometida, estão um nível acima de Os Dez Mandamentos.

As perucas horrorosas, tão criticadas outrora, estão bem mais aceitáveis agora. As vozes estão empostadas na medida certa, assim como as atuações, naturais na medida do possível, ao se narrar uma história como essa, com um quê de Game Of Thrones.

A trama bíblica, adaptada para a televisão pelo novo autor Renato Modesto, conta a saga de Josué e o povo hebreu para tomar posse de Canaã, a terra prometida do título, após a morte de Moisés, protagonista da saga anterior, cumprindo assim mais uma parte da promessa de Deus feita a Abraão. Destacado como guerreiro valente e homem de fé, que serviu como auxiliar de Moisés durante a jornada do povo no deserto, Josué assume o protagonismo desta nova produção.

Em seu primeiro capítulo, a novela teve narrativa cronológica não linear. Logo em seu segundo bloco já vemos o ápice da história, que é a destruição das muralhas de Jericó e, em seguida temos um salto pra trás de "alguns meses antes", que nos situa dos acontecimentos que levaram àquele momento. Esse artifício não é novidade nas novelas, vide o primeiro capítulo de Salve Jorge (alguém ainda lembra?), em 2012, mas sempre funciona.

O elenco também merece elogios. Entre atores já conhecidos de outras tramas da emissora e novos rostos em produções da casa, estão todos muito bem, com destaque para o protagonista, em ótimo momento de Sidney Sampaio, talvez seu melhor até aqui. Assim como Nívea Stelmann e Kadu Moliterno, recentes aquisições do canal advindos da Globo, e seus respectivos Noemi e Acã. A Léia de Beth Goulart, ótima com uma longa peruca preta. Marcos Winter, em uma surpreendente e até assustadora caracterização de Merodaque. Juliana Silveira, pérfida como a rainha má Kalési. Leonardo Franco, como o malvado Tibar. Elizângela sempre bem, fazendo as vezes de Milah. E um especial destaque para Mirian Freeland na pele da prostituta Raabe, uma das mais interessantes personagens da Bíblia.

Não acompanharei A Terra Prometida, porque definitivamente não tenho paciência para sete meses de uma história bíblica, onde muita coisa será criada para prender o público de novela, já que o Livro Sagrado, em sua maior parte, contém histórias que caberiam perfeitamente em minisséries de no máximo 20 episódios. Mas para quem gosta e acompanha com prazer este tipo de trama, recomendo: a julgar pelo primeiro capítulo, a Record está oferecendo um produto de excelente qualidade áudio-visual.

Leia Também:
Leandro Faria  
Esdras Bailone: leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
FacebookTwitter


0 comentários:

Share