16 de ago de 2016

#Literatura: O Ano Em Que Disse SIM, de Shonda Rhimes





Eis um fato imutável sobre o meu gosto literário: eu odeio autoajuda. Não estou interessado em segredos de sucesso, em como ser mais feliz ou em achar o amor verdadeiro em um determinado número de passos. Acho o filão caça-níquel e não tenho sequer paciência para me dedicar a esse tipo de leitura. Dito isso, por que então eu gostei tanto de O Ano Em Que Disse SIM, de Shonda Rhimes que, para muitos, é sim literatura de autoajuda?

Se você não liga o nome à pessoa (herege!), Shonda Rhimes é a showrunner responsável pelos sucessos televisivos Grey´s Anatomy, Scandal, How To Get Away With Murder e The Catch. Sua produtora, a Shondaland, é a dona das noites de quinta-feira na rede de televisão americana ABC, que ganhou até mesmo uma hastag para chamar de sua, a #TGIT (ou Thank´s God It´s Thursday - tradução livre: Obrigado, Deus, é Quinta!). Shonda é sucesso de público e crítica e tem um papel fundamental na normalização na televisão, enchendo suas produções com um elenco diverso (e falei especificamente sobre esse assunto tempos atrás no Barba Feita, em um texto que você pode ler clicando aqui). Ou seja, Shonda Rhimes é a dona da cocada preta, correto? Bem, não era bem assim e é aí que a leitura de O Ano Em Que Disse SIM fica fascinante, principalmente se você conhece as séries e os universos criados por Shonda.

Apesar do sucesso, logo no começo da leitura do livro, descobrimos que a vida de Shonda não era tão maravilhosa quanto poderíamos imaginar. Apesar da realização profissional, Shonda se dá conta de que não era feliz e que nunca tinha tempo para o que realmente importa. Por isso, quando confrontada com uma difícil verdade por sua irmã, Shonda decide criar um desafio pessoal e inicia um ano do SIM, um período em que aceitaria encarar todos os desafios de que normalmente fugiria, seja por preguiça, medo ou por falta de tempo.

São as impressões de Shonda sobre o seu crescimento por ter se imposto esse desafio que acompanhamos durante a leitura de O Ano Em Que Disse SIM. Ela compartilha com os leitores, com uma escrita fluída e, muitas vezes, confidencial, os seus medos e a sua própria superação a cada desafio autoimposto. E assim, apesar de alguns julgarem que o livro é uma espécie de autoajuda, para mim ele funcionou quase como uma biografia com espaço de tempo delimitado. Acompanhamos a vida de Shonda por um período de aproximadamente um ano e meio e os seus aprendizados depois que tomou uma decisão.

Divertido, o livro é dividido em capítulos que mostram cada um dos SIMs a que Shonda se obrigou a dizer. E o resultado para sua vida ao encarar cada um deles. É inspirador sem pregar a conversão dos leitores. É apenas uma mulher de sucesso, contando como conseguiu superar alguns medos paralisantes. E é maravilhoso.

E, se você conhece o trabalho de Shonda através de suas séries de televisão, a leitura será ainda mais divertida, já que temos a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a personalidade por trás da criadora de universos e personagens que aprendemos a amar. E ela cita esses personagens como se fossem verdadeiros amigos e por quem ela tem carinho especial. É um afago à sua própria obra e também aos seus fãs.

O Ano Em Que Disse SIM é, dessa forma, uma leitura deliciosa. Para os fãs de Shonda e de suas criações ou para quem procura a história de alguém que tomou uma decisão e, por causa dela, conseguiu mudar a própria vida.

O Ano Em Que Disse Sim
Autora: Shonda Rhimes
Páginas: 256
Editora: Best Seller - Grupo Record

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Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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