23 de ago de 2016

#PrimeirasImpressões: Justiça





Com o fim das Olimpíadas cariocas, as redes de televisão voltam às suas programações normais, cheias de novidade para prender o telespectador. E, entre essas novidades, tem Justiça, nova série da Globo, que é ousada em sua proposta e, pelo que podemos verificar pela estratégia de lançamento da emissora, tem tudo para ser inovadora. 

Falemos sobre a estratégia de promoção da Globo. Porque a série, que já estava sendo anunciada há algumas semanas, com chamadas maravilhosas e instigadoras (eu decidi que TINHA de assistir a Justiça devido à chamada ao som de Halleluya, maravilhosa!), foi primeiro liberada no aplicativo Globo Play para assinantes, com a disponibilização dos três primeiros episódios no fim de semana que antecedeu a estreia da série na noite de ontem. Foi inclusive assim que eu já assisti aos primeiros capítulos e posso estar aqui dando a minha opinião para vocês. Mais do que isso, a Globo já anunciou que, a partir da semana que vem, os episódios do dia estarão disponíveis sempre no Globo Play às 18h, ou seja, antes da exibição normal. Temos de aplaudir a iniciativa, que foi sim um golaço da emissora.

Dito isso, passo direto às minhas impressões sobre os episódios que já assisti que, adianto, me pegaram de cheio. Afinal, não adiantaria nada a Globo liberar antecipadamente a série se ela fosse uma porcaria. E, como não é, estou aqui ansioso pelos próximos, querendo acompanhar cada uma das quatro histórias que se interligam, mas que serão narradas, cada uma num dia da semana (segunda, terça, quinta e sexta) na telinha.

O tema da série é, como o próprio nome sugere, a Justiça. A pergunta que ela nos faz é: o que é justiça, afinal? A justiça, formal e legalizada, tão questionada em nossa país em seu conceito mais amplo, muitas vezes é... injusta. E ao acompanharmos o drama daqueles personagens, cada história com suas particularidades, ora nos vemos torcendo por quem foi preso injustamente, ora por alguém que viu a justiça ser "feita", mas não concorda com os termos da lei.

Vicente, Fátima, Rose e Maurício são os personagens que acabam presos e que cumprem penas de 7 anos cada um, sendo todos liberados no ano de 2016. O que os levou à prisão é o que acompanhamos em cada um dos dias da semana em que Justiça é exibida. Vicente matou Isabela, sua noiva. Fátima foi acusada de tráfico de drogas depois de seu vizinho policial plantar cocaína em sua casa para acusá-la. Rose, negra, foi pega com pílulas de êxtase e maconha, e presa por ser negra, já que sua amiga Débora não foi sequer revistada por ser branca. Maurício, atendendo ao pedido de sua mulher, Beatriz, comete eutanásia. Quatro pessoas diferentes, com histórias de vida diferentes, que se vêem prestando contas à Justiça do estado de Pernambuco, e que tem em algum momento as vidas entrelaçadas. Quatro histórias fortes e, todas elas, imperdíveis.

Quando vi as chamadas, achei que uma história pudesse se sobressair à outra, que não seriam todas a me prender o interesse e, agora, posso dizer que estava enganado. Apesar de um desdobramento me interessar mais do que os demais até agora (o de Fátima, em mais uma atuação soberba de Adriana Esteves), todas as histórias são incríveis e eu tenho de acompanhá-las até o final. E, apesar de ainda não ter conferido o drama das sextas-feiras, de Maurício e Beatriz e que envolve eutanásia, acho muito difícil que a história não mantenha o ritmo das demais.

E que elenco bem escolhido. Jesuita Barbosa, Deborah Bloch, Marina Ruy Barbosa (bem diferente do que estamos acostumados a vê-la fazendo na televisão), Adriana Esteves, Angelo Antônio, Enrique Diaz, Leandra Leal, Jéssica Ellen, Luisa Arraes, Cauã Reymond, Marjorie Estiano e todo o elenco. Sério, não dá pra elogiar alguém e não falar dos demais (apesar de eu ter feito isso). Todo mundo está maravilhoso e dando credibilidade aos personagens que interpretam, nos fazendo acreditar naqueles dramas e aguardar, ansiosos, o desfecho de cada trama. 

Ousado, o roteiro de Manuela Dias, prende e chama nossa atenção, principalmente ao ambientar suas histórias em Recife, fugindo do tradicional eixo RJ-SP em que as novelas e séries normalmente se concentram. Apesar de cada episódio se focar em um dos protagonistas, termos a possibilidade de ver os demais personagens como coadjuvantes que fazem uma ponta no outro dia da história é interessantíssimo, inclusive nessa primeira semana, quando vamos ligando cada personagem "secundário" à qual história ele está diretamente ligado. 

Com uma trama incrível de Manuela Dias, direção artística segura e envolvente de José Luiz Villamarim, e atuações impecáveis de todo o elenco, Justiça já ganhou o público que, certamente, ou dormirá mais tarde para acompanhar  a série, ou aproveitará esse bônus da Globo, de liberar antecipadamente cada episódio no Globo Play

Já tem tudo para ser memorável e nós, com toda a certeza, acompanharemos tudo, do início ao fim.

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Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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