22 de set de 2016

#Cinema: Desculpe o Transtorno, de Tomás Portella





Vendido como o derradeiro filme do agora ex-casal Gregório Duvivier e Clarice Falcão, com direito a polêmica exagerada graças a uma coluna de Gregório em um jornal de grande circulação, em que o ator e humorista se derretia em elogios para sua ex enquanto também promovia o filme, Desculpe o Transtorno chegou aos cinemas com grande alvoroço  e instigando a curiosidade dos espectadores. Afinal, é uma comédia romântica com alguns dos atores mais famosos da trupe do Porta dos Fundos; é o filme que reúne um ex-casal que, ao se separar, gerou comoção de fãs e curiosos; reúne um elenco com rostos famosos e conhecidos por fazer (bem) comédia na internet e na televisão. Era de se esperar: será que o filme consegue ser tão bom quanto o burburinho que gerou?

Com uma história simples e até bobinha, Desculpe o Transtorno nos apresenta Eduardo, um jovem que depois do divórcio dos pais acabou se mudando para São Paulo na adolescência, acompanhando o pai e deixando a mãe no Rio. Depois da morte da mãe, anos depois, ele, que se tornou um paulistano chatinho e cheio de manias, que namora com Vivi, uma paulistana controladora e chata, precisa retornar ao Rio para o velório. Na cidade, é tomado pela personalidade de Duca, um carioca sangue bom e descomplicado, que acaba se envolvendo com Bárbara que, assim como ele, representa o esteriótipo de carioca zona sul vendido em todos os lugares. É claro que isso gera uma enorme confusão para Eduardo/Duca, que passa a se desdobrar em duas vidas que habitam um mesmo corpo.

Além de Gregório Duvivier dando vida às duas personalidades de Eduardo, e de Clarice Falcão como a carioca Bárbara, o elenco do filme conta ainda com Dani Calabresa vivendo a insuportável Vivi, um personagem feito sob medida para o talento da atriz e comediante. Além disso, as participações de Rafael Infante, Zezé Polessa  e Marcos Caruso são divertidas e nos ajudam a embarcar na história.

O lado surreal, é claro, fica no deslocamento do personagem principal, que vai de São Paulo para o Rio como quem pega um metrô e fica indo e voltando de Botafogo para o Flamengo. Isso sem contar, é claro, no tal transtorno de personalidade de Eduardo, já que tanto ele quanto Duca sabem da existência um do outro e, em determinado momento, parecem até mesmo dividir bem o corpo que habitam. 

Brincando com famosa rixa entre Rio e São Paulo, o filme abusa dos esteriótipos, fazendo graça com essa disputa besta entre os moradores das duas cidades. E chega a ser divertido ver como o diretor Tomás Portella parece tomar claro partido pelo Rio, com suas tomadas de cartão postal da cidade, enquanto em São Paulo, apesar de um ou outro plano aberto, prefere mostrar prédios e cinza. Mas isso não é uma crítica, porque eu super entendo o diretor, afinal, é fato, o Rio é bem mais bonito, não é mesmo? #PaulistanosMeOdiarão ;-)

No fim das contas, apesar de divertido, Desculpe o Transtorno é uma comédia que não te arranca gargalhadas. O humor está ali, nas situações absurdas mas, ao contrário de outros exemplares do gênero, a intenção do roteiro parece ser o de nos fazer sorrir, não gargalhar. E, exatamente por isso, ele cumpre muito bem o seu papel como filme descompromissado.
 
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Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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1 comentários:

Esdras Bailone disse...

Mas o Rio de Janeiro é de fato mais bonito que São Paulo e só!

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