21 de set de 2016

#Cinema: Star Trek: Sem Fronteiras, de Justin Lin





Confesso que não sou fã da clássica serie Star Trek (aquela dos anos 60), mas sempre soube um pouco sobre Spock e Capitão Kirk. Porém, fui apresentado a esse universo no ano de 2009, quando foi lançado um reboot de Star Trek, com a direção de J.J. Abrams, um de meus diretores prediletos juntamente com o mestre Quentin Tarantino. Desde então, mergulhei nesse universo fantástico e, no ano que a franquia completa 50 anos, somos presenteados com o terceiro filme dessa repaginação da série que, posso afirmar, foi realmente um presente para antigos e novos fãs das viagens na nave Enterprise. 

Enquanto cumpria uma missão de resgate, a tripulação da Enterprise é emboscada e, com muitos camisas vermelhas mortos, o restante da tripulação se vê encalhada em um planeta hostil. A premissa básica é uma boa oportunidade para separar o (ainda excelente) elenco em pequenos núcleos e seus momentos a cada um dos personagens. Em especial, Leonard McCoy deixa de ser uma participação de luxo para finalmente recuperar seus status como parte do trio principal, com direito a muito destaque a sua relação de amor e ódio com Spock. 

A verdade é que o longa mais parece um capítulo da série clássica do que um filme em si, afinal, a trama se limita a acompanhar uma das aventuras da tripulação, sem ter o futuro da humanidade ou da Federação em suas mãos. E isso é algo bom. Uma franquia como essa não sobrevive apenas com situações extremas, precisa acompanhar tramas mais contidas para garantir a diversidade de suas histórias. E, na verdade, esse sempre foi o mote de Star Trek

Assim, Capitão Kirk (Chris Pine) começa a questionar o motivo de se juntar à frota estelar e passa a refletir sobre deixar a exploração espacial de lado. Por sua vez, Spock (Zachary Quinto) também passa por uma crise existencial após a triste notícia da morte do embaixador Spock, versão do futuro interpretada pelo falecido Leonard Nimoy, lembrado com bela homenagem nesse filme. Essa triste novidade o faz querer voltar ao seu povo e ajudar a reconstruir sua raça, dizimada após a destruição de Vulcano (no filme de 2009). Com isso, o romance dele com Uhura (Zoe Saldana) é abalado e ele precisa tomar uma difícil decisão. 

Entretanto, a produção se destaca não apenas visualmente e pelas ótimas cenas de ação dirigidas por Justin Lin, famoso pela franquia Velozes & Furiosos, mas também pelo desenvolvimento dos personagens, humor e capacidade de aprofundar questões emocionais. Esses elementos são alcançados, em parte, ao dividir os personagens de forma inusitada, como colocar Spock e Dr. McCoy (Karl Urban) juntos enquanto lutam por suas vidas em um planeta hostil, mas também pelo sólido roteiro e atuações convincentes. 

A produção ainda apresenta uma nova personagem, Jaylah, uma alien cheia de habilidades que ajuda a tripulação da Enterprise. A atriz Sofia Boutella (de Kingsman - Serviço Secreto) está encantadora no papel, pena sua personalidade não ser aprofundada e alguns clichês aparecerem quando ela está em cena. Além disso, Idris Elba também está bem como vilão Krall, exagerado e caricato, porém com o tom dramático típico dos antagonistas da franquia. 

Só que o maior problema do filme acontece exatamente com Krall, cujas motivações são rasas demais e falta explicação para entendermos realmente como o personagem chegou ao ponto em que se encontra. Faltam algumas cenas para aprofundá-lo e transformá-lo em alguém real e não apenas um vilão clichê de mundos fantásticos que não faz nada além de cumprir seu papel de criar problemas. 

Apesar desse deslize, Star Trek: Sem Fronteiras ainda faz jus à criação de Gene Roddenberry ao tratar de assuntos sociais relevantes para 2016, os quais não vou entrar em detalhes para evitar spoilers. Além disso, o clímax ao som de Beastie Boys é absurdo, mas muito divertido e faz sentido com a ideia da série de soluções fora da caixa para resolver grandes problemas. Por elementos como esses, o novo filme deve agradar tanto aos fãs de longa data quanto aos novos públicos e é um grande presente de 50 anos para a franquia.

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Leandro Faria  
Artur Lima: aficionado por cinema, música, seriados e livros, não nesta ordem, apaixonado por dias frios e chá. Estudante de Comunicação Social, acha que sabe de tudo e sonha em trabalhar com cinema.
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