12 de out de 2016

#PrimeirasImpressões: Lethal Weapon





Nem tão ruim, nem tão boa. Resumindo, essa é minha primeira impressão sobre Lethal Weapon, série remake da consagrada franquia Máquina Mortífera, sucesso dos anos 80/90 nos cinemas, estrelada por Mel Gibson e Danny Glover. 

Parceiros de polícia que são antagonistas; um mais conservador, rezando na cartilha dos bons procedimentos (good cop) e o tira maluco, que posa de anti-herói, visa os resultados para justificar suas atitudes e atenuar seu perfil insano (bad cop), que mistura remédios, álcool e sandices. Essa ideia não é apenas de Máquina Mortífera, mas de zilhões de filmes e séries que tornaram o gênero policial bastante popular lá nos anos 80. Se na década de 70, séries como S.W.A.T. ou Carro Comando (do mesmo gênero) apostavam nas ingênuas tramas urbanas, os anos 80 invocavam o humor e as relações mal resolvidas dos protagonistas, em vários ambientes e aspectos. Por isso não dá para não achar que Máquina Mortífera, a série, repita fórmulas já conhecidas do grande público, onde não haveria nenhuma necessidade de buscar um sucesso do cinema como referência estética. O piloto faz homenagens e referências ao filme que fez sucesso com a dupla Danny Glover / Mel Gibson e peca ao querer mesclar a dose minúscula de humor que Damon Wayans carrega por seus outros papeis, com o drama mexicano que o ator Clayne Crawford não tem talento de executar.

Lethal Weapon não decepciona. Você pode achar o piloto fraco, e eu concordo. Mas é um plot limitado, que não tem muito para onde correr ou se desenvolver. A boa notícia é que a produção tem sim potencial, pelo menos. Diferente de Rush Hour (CBS), que tinha cara de filme dos anos 80, o remake de Máquina Mortífera só parece um filme dos anos 2000, o que choca bem menos. Nesse aspecto, o piloto é bem feito e tem boas cenas de ação, apesar de algumas coisas tecnicamente bem forçadas (carro capotando por causa de um impacto com uma barreira de latões de plástico cheios de água). Mas não dá para ser algo crível o tempo todo.


O grande problema da série nesse primeiro momento, ao meu ver, é o seu elenco. A dupla de protagonistas, apesar de ter química juntos, tem uma química às avessas, onde os dois ficam meio forçados nos seus respectivos papéis. Quem me convence que Michael Kyle é um marido sério, um policial responsável e pai de família exemplar? 

A FOX pode ter dado um tiro no pé ao apostar numa fórmula batida de entretenimento, uma vez que este gênero não tem mais público como há alguns anos. Séries que apostam em procedurais, normalmente capricham um pouco mais em termos de produção e num roteiro melhor escrito. Minha gente, não estamos falando de uma temporada e sim do piloto, fraco, sem graça e longe de poder atrair mais gente. Talvez se tivessem escalado atores mais cascudos e talentosos, eles salvassem a premissa; na verdade, quem sabe até convidaram, mas como aceitar uma furada dessas? 

Ou eles mudam a estética escolhida e partem para um outro tipo de abordagem, com um texto mais redondo e menos forçado ou Lethal Weapon não passará da primeira temporada, nem com todo o otimismo do sol californiano. 

Há uma crise de criatividade muito maior do que em outros tempos, especialmente nos canais abertos americanos. Não deve ser em vão que muita gente esteja migrando para a Netflix – não apenas por todas as facilidades que o canal de streaming popularizou – mas pela qualidade quase inquestionável das suas produções. Até quando aposta em uma homenagem, caso de Stranger Things), faz do jeito certo e conquista o planeta.

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Leandro Faria  
Artur Lima: aficionado por cinema, música, seriados e livros, não nesta ordem, apaixonado por dias frios e chá. Estudante de Comunicação Social, acha que sabe de tudo e sonha em trabalhar com cinema.
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