25 de out de 2016

#PrimeirasImpressões: Conviction





Eu sou o primeiro a admitir que sou órfão de Agent Carter, mas não é por esse motivo que iria boicotar Conviction. Pelo contrário, estava muito entusiasmado em conferir essa série, onde a filha do ex-presidente americano se mete numas enrascadas e é chantageada a aceitar um trabalho inusitado: chefiar uma equipe que lida com casos em que há suspeita de que pegaram o cara errado.

Essa é a premissa de Conviction, que pode parecer mais do mesmo, mais uma série jurídica com drama e um caso da semana. Fui na esperança de que não iria gostar ou que ia ser mais uma série jurídica igual a todas as outras, mas essa tem um diferencial muito grande que se chama Hayley Atwell. A protagonista, Hayes, é o típico clichê de menina rica que os pais não deram atenção e até hoje ela faz algo para chamar atenção de seus familiares, mas isso só resultou em ela entrar na CIU e ter que cuidar de casos que ela mesma não se interessa e nem se importa. 

Conviction definitivamente não tem a pretensão de inventar a roda. Os personagens, os cenários, os conflitos e a própria estrutura da série parecem ser uma reciclagem de outras histórias que já vimos antes, sobretudo os dramas de advogados da Shonda Rhimes (até mesmo o escritório em que os personagens trabalham parece idêntico ao de The Catch). 

Contudo, nem por isso pode-se dizer que a série é ruim. Não é original, porém consegue entregar exatamente aquilo que os fãs de Scandal e How to Get Away with Murder estão querendo e, vamos combinar que, como a ABC ainda precisa pagar as contas, reproduzir o que vem dando certo na grade não é um pecado tão sério. Aliás, é exatamente isso que todos os grandes estúdios estão fazendo, e a vantagem é que o espectador pode desfrutar de mais e mais conteúdo que lhe agrada. 

Hayley entregou uma protagonista muito boa e bem forte, mas a decisão dos roteiristas de fazerem ela aceitar que tem que fazer isso por que isso é algo bom foi um erro muito grave; esperava que ela levasse o tom de "não me importo"’ por mais alguns episódios e não em 20 minutos, mas de resto a protagonista é muito boa. Os personagens coadjuvantes são bons, todos da firma tem algo a esconder e como não é novidade, Hayes já sabe do segredo da maioria. Wallace chegou para mostrar a Hayes que nem tudo o que ela faz hoje é certo, não sei se vai ter um romance entre os dois (e eu espero que não) mas quero que eles tenham bons diálogos e boas brigas, o final deixou isso claro quando Hayes disse que iria caçar os casos dele também. 

O time é formado por profissionais de diversas áreas. Sam Spencer (Shawn Ashmore, The Following) promotor de justiça e protegido de Wallace, que quer assumir o comendo a CIU a qualquer preço. Maxine Bohen (Merrin Dungey, Alias e Once Upon a Time) é uma ex-policial que busca a justiça, mesmo que para isso tenha que trair seus ex-irmãos de farda. Franklin ‘Frankie’ Cruz (Manny Montana, Graceland) expert forense e ex-presidiário. Já Tess (Emily Kinney) é perseguida por um erro pessoal, algo que pode ter condenado uma pessoa inocente. 

A relação de Hayes com Wallace dá um tom sexy à trama, assim como o ar despojado de Hayes, tratando tudo como uma brincadeira, mas ao mesmo tempo sendo brilhante. Os outros integrantes do CIU tem suas próprias razões obscuras para estarem no time, então teremos muitos confrontos pela frente. E ainda temos o viés político da trama. Com certeza veremos algum momento em que os interesses de Wallace ou da própria mãe de Hayes estarão envolvidos na solução de algum caso. 

E a estrutura de terem apenas 5 dias de investigação para apresentarem uma solução também é muito interessante. Se são casos já concluídos, não há necessidade de investigações eternas. Eu gosto disso, deixa essa parte um pouco mais compacta. 

A série está sofrendo para alavancar a audiência por diversos motivos.
  1. os órfãos de Castle a estão boicotando por não aceitarem o cancelamento e substituição de sua amada série. 
  2. o caso foi resolvido um pouco fácil demais. Quem está acostumado com as investigações mirabolantes do CSI podem ficar um pouco desapontados. 
  3. Hayley Atwell, mesmo sendo a atriz maravilhosa que é, é britânica. Para o público americano aceitá-la como a filha de um presidente americano não será fácil (eu não senti quase nada de sotaque nas falas dela, mas foi uma das reclamações que li). 
  4. o tema da série é erro em condenações, o que envolve erros policiais. Esse é um tema muito delicado nos Estados Unidos, com forças policiais inteiras boicotando celebridades apenas por exercerem seu direito de protestar contra brutalidade policial e racismo (como por exemplo Beyoncé, pelo vídeo de Formation). 
  5. a família de Hayes lembra muito os Clinton. Estamos em ano eleitoral e grande parte dos eleitores que votarão em Trump podem não assistir à série apenas por acharem que se trata de propaganda para Hilary (até o nome lembra um pouco). 
Conviction é uma série que, em um outro momento, seria aceita como qualquer outra série de procedimentos investigativos. Porém, chegou na pior hora possível e, infelizmente, pode sofrer com isso, talvez de modo irreversível. Eu espero que consigam manter uma audiência suficiente para que a ABC não desista da série, pois temos muita coisa para acompanhar, sem contar que assistir qualquer personagem interpretada pela Hayley é sempre uma delícia.

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Leandro Faria  
Artur Lima: aficionado por cinema, música, seriados e livros, não nesta ordem, apaixonado por dias frios e chá. Estudante de Comunicação Social, acha que sabe de tudo e sonha em trabalhar com cinema.
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