6 de out de 2016

#PrimeirasImpressões: Marvel's Luke Cage





 Se tem uma coisa na qual a Marvel ainda não errou, é em sua parceria com a Netflix. Demolidor e Jessica Jones conseguiram aprovação de público e crítica, se firmaram como duas das melhores séries de super-heróis da atualidade e, agora, após um piloto excelente e promissor, Luke Cage se junta ao grupo. A julgar pelo que vimos aqui, a série tem potencial para ser superior às suas duas parceiras de empreitada e promete muito. Estrelada por Mike Colter (The Good Wife), que já havia dado as caras como o personagem título em Jessica Jones, a série teve sua temporada lançada nessa sexta feira (30/09) pelo serviço de streaming e já mostrou a que veio. 

De cara, o que já diferencia Luke de Matthew e Jessica é que suas ambições são diferentes. Enquanto o Demolidor foi movido pelo desejo de varrer o mal das ruas de sua cidade e Jessica se envolveu numa cruzada pessoal, a única ambição de Luke é ser um homem comum. Ele não gosta do que ele foi transformado, não gosta de ser à prova de balas, sabe que isso lhe custou muito mais do que palavras poderiam expressar e, dessa maneira, se esforça ao máximo para tentar levar uma vida dentro do que é convencionado como normalidade. Esse, talvez, seja um dos maiores acertos deste episódio inicial. Vemos Luke ralando em dois empregos, negociando aluguel, discutindo salário e fazendo o possível para se encaixar às normas da sociedade em que vive. 

Uma das coisas mais legais de Luke Cage é que esta é uma série basicamente “all black”. A imensa maioria dos personagens são negros, o que é bem óbvio, já que o reduto principal da história está nesse grupo social. 

Não só isso: a cultura negra é enaltecida na série. As referências culturais em profusão, a ambientação e todas as referências musicais são claramente focadas na cultura negra, o que é ótimo, já que não existem séries regulares com proposta tão positiva. 

Além do protagonista, outras personagens que devem ditar o tom da história também foram bem apresentadas aqui, como Mariah e Misty. Enquanto a primeira se coloca como uma vereadora que, diante das câmeras, faz discursos ideológicos baseados em black lives matter e derivados, na surdina trabalha com esquemas duvidosos – nada mais, nada menos que uma retratação de diversas figuras políticas da vida real e que deve render ótimos momentos. Já a segunda, além de possuir uma química explosiva com Luke (o que nos deu excelentes cenas), parece ser o tipo de personagem forte, independente e que não pretende deixar que ninguém cuide de sua vida para ela. Também possui muito potencial. 

Como já é padrão nas séries dos heróis de rua, a trama central foi apenas pincelada neste primeiro episódio. Conhecemos o vilão, Cottonmouth (ou Boca de Algodão) e tivemos vislumbres de uma história envolvendo tráfico, corrupção e guerra de facções, com uma pitada de política e um silencioso jogo de poder; elementos que, se bem desenvolvidos, podem produzir mais do que um simples produto de entretenimento, mas também algo crítico e reflexivo e é exatamente aí que reside um dos principais diferencias da série. 

Há tempos falamos em como a Netflix e a Marvel estão trabalhando bem juntas. E isso acontece não apenas pelo cuidado que o serviço de streaming tem com as produções que são próprias, mas também pela liberdade criativa que o serviço pago oferece em comparação aos projetos da TV aberta. 

Basta fazer uma comparação simples e direta com Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D. (ABC), que é bem-feita e bem produzida, mas que não consegue desenvolver uma história tão bem e fechada como as produções da Netflix apresentadas até agora. 

Marvel’s Luke Cage é uma das melhores estreias da temporada, sem sombra de dúvidas. Uma produção bem-feita, um roteiro bem estruturado, um arco de temporada que rende, cenas de ação, tiro, porrada e bomba… Enfim, tudo o que se espera de uma série de herói, mas com qualidade. Nada é jogado à esmo. Tudo é pensado para que a história não caia no ridículo, tal e como acontece em outras produções.

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Leandro Faria  
Artur Lima: aficionado por cinema, música, seriados e livros, não nesta ordem, apaixonado por dias frios e chá. Estudante de Comunicação Social, acha que sabe de tudo e sonha em trabalhar com cinema.
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