24 de nov de 2016

#Cinema: Animais Fantásticos e Onde Habitam, de David Yates





Fui ao cinema conferir Animais Fantásticos e Onde Habitam sem nenhuma expectativa. Sim, eu li os livros da saga Harry Potter, assisti aos filmes, estou familiarizado com o universo criado por J. K. Rowling, mas não queria me frustrar. Eu sabia que seria uma outra história, com novos personagens, e queria apenas curtir o universo que aprendi a amar e que me divertiu durante tantos anos, seja através dos livros ou dos filmes. E como é bom não ter expectativas e ser surpreendido por um produto excelente e que te faz sair do cinema com um sorrido bobo no rosto depois de ter assistido a um filme tão bom.

Porque sim, Animais Fantásticos é maravilhoso. Um filme de mais de duas horas que, em momento algum te faz olhar para o relógio ou que se torna aborrecido. Pelo contrário, você não vê o tempo passar e, quando os créditos começam a subir pela tela, você quer apenas conhecer mais daquele universo bruxo que fica longe de Hogwarts, do lado de cá do Atlântico, em outra época e, mesmo assim, tão fascinante.

Nesse momento todos já devem conhecer a sinopse, mas não custa relembrar. A trama se passa nos anos 20, quando o bruxo inglês Newt Scamander chega a Nova York portando uma maleta mágica repleta de criaturas mágicas, que ele estuda e cataloga, a fim de apresentar informações sobre esses animais fantásticos ao mundo bruxo. Ao chegar aos EUA, entretanto, a maleta de Scamander se perde e alguns animais são libertados em uma Nova York que possui leis bruxas bastante rígidas no que diz respeito à exposição de magia para os não-majs, como os trouxas são chamados nos EUA. Em paralelo a isso, uma ameaça paira sobre a cidade, na figura de Gerardo Grindelwald, que conhecemos de nome da saga Harry Potter, um bruxo que acredita que a exposição e a dominação dos trouxas, ou não-majs, é o melhor caminho para a sociedade mágica. 


Divertido e com um roteiro ágil escrito pela própria J. K. Rowling, o filme de David Yates é um espetáculo para os olhos. A recriação da Nova York da década de 20 é assombrosa, além da ambientação em uma sociedade que viveu o medo da morte dos bruxos, já que a Salém americana foi uma realidade para eles e que, no momento do filme, parece querer dar as caras novamente na história. Fora que Yates aprendeu com Harry Potter a dirigir o universo criado nos livros, expandindo-o através do audiovisual, criando criaturas fascinantes via computação gráfica e efeitos deslumbrantes.

Aliado a isso, o carisma dos atores é o grande motor do filme. E se eu tenho alguns problemas com Eddie Redmayne e sua cara de um único personagem (sério, eu olhava para Scamander e via Lilly, de A Garota Dinamarquesa), o desempenho de Katherine Waterston como a ex-auror Tina Goldstein, é bastante competente. Mas são os coadjuvantes que roubam a cena. Dan Fogler, como Jacob Kowalski, e Alison Sudol, como Queenie Goldstein, são maravilhosos; Colin Farrell está muito bem como Percival Graves e é um colírio aos olhos; Ezra Miller faz de Crendence um dos personagens mais intrigantes do longa; e Johnny Depp, com uma única cena, me fez lembrar porque eu já gostei tanto dele. 

Animais Fantásticos e Onde Habitam não é Harry Potter. É uma trama que usa o passado do mundo bruxo como pano de fundo, mas que funciona muito melhor quando não é comparado à obra original. Mas sim, é empolgante notar as referências à saga famosa e sorrir ao ouvir nomes familiares como Alvo Dumbledore ou o sobrenome Lestrange. O que não impede, de forma alguma, que o filme seja apreciado apenas pela história que conta e que não tem nada a ver com a vida do bruxinho que conquistou a todos nós, mas que só nascerá, na linha narrativa do longa, décadas depois.

Assim, não se acanhe. Animais Fantásticos é diversão da melhor qualidade e que vale a sua atenção e o seu ingresso. Não perca!

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Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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1 comentários:

Saraldeira disse...

Sempre acompanhei o trabalho de David Yates, quando soube que lançaria Animais Fantásticos e Onde Habitam, esperei com todo o meu ser a estréia. Seu trabalho é excepcional, seu estilo e personalidade estão bem marcados neste filme, acho que ninguém teria feito um melhor trabalho que ele.

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