22 de nov de 2016

#Cinema: Joy - O Nome do Sucesso, de David O. Russell





Jennifer Lawrence é a atriz do momento nos EUA. Faz um filme atrás do outro e vira e mexe é indicada ao Oscar, mas a pergunta que fica é se, afinal, ela é mesmo tudo isso. Ao assistir Joy: O Nome do Sucesso (2015) tenho todas as respostas bem na minha frente.

Primeiro que ela não é lá essa grande atriz como muitos acham; é esforçada e, se for bem dirigida, consegue provar que de fato é boa, como em Inverno da Alma. Entretanto, em todos seus outros filmes ela não faz nada de extraordinário. Em alguns momentos convence, em outros nem tanto. Talvez tenha nascido para fazer filmes do tipo Jogos Vorazes ou, principalmente, X-Men, em que ela não faz feio, mas é ajudada pelos efeitos especiais, elenco e, claro, é um filme com os mutantes mais legais e queridos do Universo.

Por O Lado Bom da Vida ela recebeu cedo demais um prêmio da Academia, tropeçou ao subir as escadas e tropeçou novamente um ano depois descendo de um carro ao chegar na mesma cerimônia. Coisas assim só a fazem se aproximar do seu público, porque mostra um lado humano; ela sabe rir de si mesma, é simpática, tem um certo e suficiente carisma e, se souber aproveitar as oportunidades que lhe aparece quem sabe pode vir a se tornar mesmo numa grande atriz como muitos imaginam, mas ainda não é. Contudo, é uma estrela e isso ninguém pode negar.

Em Joy ela teve uma oportunidade perdida, mas neste caso, me parece que a culpa nem tenha sido dela. Sua amizade com o diretor David O. Russell, com quem ela trabalhou em O Lado Bom da Vida e Trapaça, pode ter sido o estopim para que ela aceitasse interpretar a cinebiografia de Joy Mangano, uma mulher que estava chafurdando na lama, tinha uma família disfuncional (maluca mesmo) e, de repente, inventa um esfregão que se torna um sucesso de vendas e, pronto, eis aí uma mulher de sucesso.

Porém, esse nepotismo não foi nada bom pra pobre e rica J. Law. Joy é uma mulher madura e Jennifer nitidamente não tem a maturidade necessária para o papel e, além disso, Russell tem uma forma muito estranha de dirigir seus filmes, e foi justamente isso que detonou Jennifer. Uma história simples como a apresentada não precisa da pirotecnia que o diretor impôs, apenas deixe que ela seja contada como fizeram muito bem Steven Sodebergh, em Erin Brockovich, e John Lee Hancock, em Um Sonho Possível. Russell se cerca de diálogos que não ajudam a história, de uma metalinguagem que aborrece, e tenta transformar uma simples cinebiografia num filme com maiores pretensões artísticas. Pretensões essas que não chegam a lugar nenhum.

Russell, porém, sabe escolher seus atores secundários. Robert De Niro, Virginia Madsen, Bradley Cooper, Isabella Rossellini, todos dão conta do recado e seus personagens são mais interessantes que a protagonista. Nos momentos em que Jennifer é exigida, ela não oferece mais do que está no roteiro e fica por isso mesmo, chegando a ser constrangedor ver todos ao seu redor lhe roubando a cena. Contudo, o carisma da atriz deve ter sido o suficiente, porque o filme custou 60 milhões de dólares e rendeu mais de cem milhões, fazendo com que além disso, Lawrence vencesse o Globo de Ouro de Melhor atriz em Comédia pelo papel.

Tudo bem que, nesse caso, ninguém entendeu essa vitória até hoje, mas como eu disse no começo, a menina é a atriz do momento. Fazer o quê, né?

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Serginho Tavares  
Serginho Tavares, apreciador de cinema, para ele um lugar mágico e sagrado, de TV e literatura. Adora escrever. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência e com os pés bem firmes na terra.
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