24 de fev de 2017

#Oscar: Curiosidades Sobre o Prêmio





O Oscar, que chega á sua 89ª edição nesse domingo, é a festa da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas americana e um dos momentos mais esperados do ano, não apenas pelos seus membros, mas por todo mundo que aprecia cinema, glamour e badalação. Sendo assim, o evento reúne muitos fãs apaixonados que grudam os olhos na frente da TV desde o famoso red carpet até a hora da cerimônia.

Mas não foi sempre assim. No começo, o prêmio nem mesmo se chamava Oscar, a festa não era televisionada e não havia surpresa com o nome dos vencedores, tanto que a primeira entrega dos prêmios durou apenas quinze minutos. Todo mundo já sabia quem havia vencido e foram lá apenas receber o prêmio num jantar no Roosevelt Hotel. E isso tudo lá nos idos de 1929, ano em que nasceu Audrey Hepburn. A premiação foi apresentada pelo ator Douglas Fairbanks e pelo diretor William C. DeMille (irmão de Cecil B. DeMille) e tinha como propósito dignificar todas as realizações feitas entre os anos de 1927 e 1928.

Muito diferente de hoje em dia, os vencedores recebiam o prêmio pelo trabalho realizado durante o período de elegibilidade da época, ou seja, dois anos. Nesta primeira premiação, por exemplo, o ator Emil Jannings recebeu o certame por sua atuação em dois filmes (Tentação da Carne e A Última Ordem), Janet Gaynor pelo desempenho em três (Sétimo Céu, Aurora e O Anjo das Ruas). Posteriormente é que resolveram mudar e todos seriam indicados por um desempenho específico em um filme apenas. Contudo, o período de classificação durou dois anos nas primeiras seis cerimônias.

Atualmente, para concorrer ao Oscar existe todo um processo dividido em duas partes. Na primeira delas, os membros da Academia votam de acordo com sua especialidade (por exemplo, atores votam em atores, técnicos de som em técnicos de som, e por aí vai) e também votam naquele que consideram melhor filme. Depois que sai a lista com os indicados, aí todo mundo vota em todo mundo em cédulas enviadas pelo correio.

Vale ressaltar que para concorrer a melhor filme é necessário que o mesmo possua mais de 40 minutos de duração, ter sido exibida por pelo menos uma semana em Los Angeles e ter uma resolução de projeção de 2048x1080 pixels.

Ao vencer o Oscar, todos se comprometem em não vender o prêmio e, caso isso aconteça, devem antes oferecê-la à Academia por um dólar. Essa regra, porém, só vale para os vencedores após a premiação de 1950. O ator Harold Russell, infelizmente, foi obrigado a vender a sua estatueta pelo seu papel em Os Melhores Anos de Nossas Vidas, de 1946, para tratar da doença de sua esposa. Apesar disso, caso alguém perca o Oscar, a Academia poderá enviar outra.

Como eu dizia anteriormente, o Oscar não tinha esse nome. Os prêmios da Academia (que havia sido fundada dois anos antes, em 1927, por iniciativa de Louis B. Mayer) só receberam essa alcunha depois e até hoje ninguém sabe quem deu. Uns dizem que foi a atriz Bette Davis, que achou a estatueta parecida com seu primeiro marido; outros, que foi a então secretária-executiva da Academia, Margareth Herrick, que a achou parecida com seu tio Oscar. Entretanto, apenas em 2013 é que eles assumiram mesmo o nome da premiação para The Oscars ao invés de Academy Awards como era antes.

Em 1953 é que o Oscar começou a ser televisionado e, mesmo assim, só para os EUA. Apenas em 1966 é que o mundo todo começou a acompanhar o evento. O Brasil, por sinal, foi um dos primeiros países que  o televisionaram ao vivo, via satélite, em 1970. Hoje é considerada uma das cerimônias mais assistidas no mundo, ao lado dos Jogos Olímpicos e da Copa do Mundo de Futebol.

Ao longo de muitos anos, muitos fatos curiosos marcaram a premiação. Durante a Segunda Guerra Mundial, as estatuetas entregues eram de gesso e só anos depois  foram substituídos pelas originais que são feitas de estanho, folheadas a ouro catorze quilates, têm 35 cm de altura e pesam aproximadamente quatro quilos. O Oscar é representado por um cavaleiro sobre um pedestal no formato de um rolo de filme, com uma espada atravessada verticalmente ao peito. Calcula-se que custe em torno de quinhentos dólares, contudo, seu valor agregado é incalculável.

Entretanto, mesmo sendo objeto de desejo por muita gente, houve quem não quisesse sua estatueta. Por exemplo, o roteirista Dudley Bichols boicotou a cerimônia e se recusou a receber seu Oscar pelo filme O Denunciante (1935); o ator George C. Scott também fez o mesmo e não aceitou o prêmio pela atuação em Patton, Rebelde ou Herói? (1970), dizendo que a festa era um "desfile de carne" e que não queria fazer parte dela; e por último, provavelmente a recusa mais famosa, a de Marlon Brando que não aceitou o seu Oscar por O Poderoso Chefão (1972) pela maneira como Hollywood retratava os índios e ainda mandou uma falsa índia dizer isso.

Mas nem só de recusas vive o Oscar. Temos grandes momentos, tantos que seria impossível mensurar aqui. Um deles vale um importante registro: a emoção da atriz Hattie McDaniel, primeira negra a vencer um Oscar pelo papel em ...E O Vento Levou (1939), numa época em que os negros ainda eram obrigados a cederem seus espaços para os brancos. Ela também foi a primeira negra a ir a premiação como convidada e não como servente, e os organizadores tiveram que pedir uma autorização porque o local onde se realizava a cerimônia não era permitido para negros.

E, por fim, um dos momentos mais surreais da premiação foi quando o ator David Niven, então mestre de cerimônias da festa, foi pego de surpresa por um homem que driblou a segurança e surgiu completamente despido correndo no palco. Eram os anos 1970, a época dos streakers, pessoas que tiravam a roupa em lugares públicos. Seu nome era Robert Opel, trabalhava meio período para a revista gay The Advocate e fundou, em 1978, a primeira galeria de arte abertamente gay do país, a Fey-Way Studios, em São Francisco. Infelizmente, foi assassinado em 1979.

Eis o episódio:


Fica a dúvida: será que a cerimônia desse domingo trará algum momento memorável? Estaremos acompanhando, certamente!

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Serginho Tavares  
Serginho Tavares, apreciador de cinema, para ele um lugar mágico e sagrado, de TV e literatura. Adora escrever. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência e com os pés bem firmes na terra.
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