22 de fev de 2017

#Pop5ive: Meus Cinco Cineastas Favoritos




Em tempos de Oscar, nada melhor que um Pop 5ive sobre o mundo do cinema, né não? Por isso selecionei para esta coluna, meus cinco diretores de cinema favoritos. Aqueles dos quais não perco nenhum lançamento, muito embora ainda não tenha assistido todos os trabalhos dirigidos por alguns, antes de ter minha paixão despertada. Mas o bom é isso, quando descobrimos um diretor genial, vamos saboreando obras antigas, enquanto uma nova produção não surge.

A lista está bem eclética em se tratando da nacionalidade dos escolhidos e, curiosamente, não tem nenhum americano no podium. Tenho mesmo uma forte queda pelos europeus e filmes mais alternativos. Espero que curtam!

Lars von Trier



O polêmico cineasta dinamarquês de 60 anos, é responsável por um dos filmes que mais amo na vida: Dogville (2003). Primeiro da trilogia E.U.A: Terra de Oportunidades, que parou em seu segundo filme, Manderlay (2005). O terceiro e último, Washington, inicialmente planejado para 2007, atualmente não tem data prevista para ser lançado. Por esse motivo acabei não vendo Manderlay, já que Dogville foi tão marcante pra mim, além de protagonizado pela estrela absoluta, Nicole Kidman. Ainda hei de conferir.

Lars é daqueles diretores não óbvios e, exatamente por este motivo, imprime seu estilo inconfundível em todas as suas obras. Te pega sempre pela emoção, é visceral, seus filmes remexem com tudo dentro de você e te fazem sair de suas histórias com uma visão modificada sobre o assunto abordado, que antes você jurava já ter uma opinião formada a respeito. O cinema de Lars Von Trier é uma paulada, e uma intensa sessão de terapia, desperta o melhor e o pior em você.
Nicole Kidman e James Caan, em Dogville.

Uma das coisas que mais me impressionaram em um de seus filmes, foi como passei a enxergar de outra forma a pedofilia, após a sessão de Ninfomaníaca - Vol. 2. Algo a se pensar com muito cuidado e sem julgamentos tão ferozes.

Dentre sua filmografia, encontram-se ainda os belos, Ondas do Destino (1996) e Dançando no Escuro (2000), o erótico Anticristo (2009), com sua atriz predileta Charlotte Gainsbourg, protagonista de Ninfomaníaca, e o angustiante Melancolia (2011), também com Charlotte.

Usando as palavras do ator e crítico Bertrand Duarte, "tudo é uma questão de fé no cinema de Lars von Trier", por isso fica a dica: quando for assistir alguma de suas obras, vá de coração aberto, e a cabeça mais aberta ainda.

François Ozon



O francês, de 49 anos, obteve reconhecimento internacional por seus filmes 8 Mulheres (2002), estrelado por um elenco notável, com nomes como Catherine Deneuve, Fanny Ardant e Isabelle Huppert, entre outras, e Swimming Pool - À Beira da Piscina (2003), com a diva Charlotte Rampling.

François Ozon, é considerado um dos mais importantes jovens realizadores na categoria new wave do cinema francês. Suas obras tratam de temas delicados com suavidade e até certo humor, mas sem perder a seriedade. É como se ele te pegasse pela mão e explicasse com toda a calma como as coisas realmente são. Nos casos de Jovem e Bela (2013) e Uma Nova Amiga (2014) é exatamente assim.
Ernst Umhauer e Fabrice Luchini, em Dentro de Casa.

O suspense também permeia suas histórias, mas não aquele suspense que suscita o medo, como num filme de terror, mas o que suscita a curiosidade e a angústia de não saber como determinado personagem sairá de certas situações. Ozon é extremamente humano em seu cinema, e esta humanidade questionável, inquieta e frágil permeia suas obras. O longa Dentro da Casa (2012), incrível, é um bom exemplo disso.

Outros títulos do diretor que valem a conferida são: O Amor em 5 Tempos (2004), Angel (2007), Sitcom - Nossa Linda Família (1998), O Tempo Que Resta (2005) e Refúgio (2009). Este ano chega ao Brasil seu mais novo longa, Frantz (2016), e se tem a assinatura de François Ozon não dá pra perder. Se ainda não viu nada dele, comece agora, o filme estreia em março.

Xavier Dolan



O jovem Dolan, de apenas 27 anos, também tem sotaque francês, mas é canadense. Prodígio, Xavier iniciou a carreira de ator ainda criança, mas chamou a atenção ao roteirizar e dirigir seu primeiro longa, aos 20 anos, Eu Matei Minha Mãe (2009), com o qual foi premiado no Festival de Cannes, um belíssimo início de carreira. Seguiram-se os filmes: Os Amores Imaginários (2010), Laurence Anyways (2012), Tom na Fazenda (2013), Mommy (2014) e É Apenas o Fim do Mundo (2016).

Após seu primeiro filme e as premiações resultantes deste, as obras seguintes ganharam cada vez mais destaque, sendo premiadas nos mais diversos festivais, o que tem contribuído com a reputação de Dolan como cineasta, e levado-o a desfrutar de maior reconhecimento internacional, apesar de seus longas serem produzidos exclusivamente em francês.

Xavier tem a rebeldia e o ímpeto de um jovem de sua idade, o que fica evidente em sua direção e roteiros. Personagens gays são recorrentes em suas obras, mas mais marcante do que o óbvio interesse em retratar personagens com a mesma orientação sexual que a sua, é a questão da maternidade, tratada de forma quase que obsessiva por Dolan. Foi assim em sua ótima estreia, com Eu Matei Minha Mãe, onde um jovem gay, interpretado por ele mesmo, tinha sérios problemas de relacionamento com a mãe separada. Cinco anos depois, mais maduro, abordou novamente o tema, de maneira mais densa, no excelente Mommy, onde deixou de lado a questão da sexualidade, mas manteve a mesma maravilhosa atriz, Anne Dorval, como a mãe do título.
Anne Dorval e Xavier Dolan, em Eu Matei Minha Mãe.

Xavier Dolan é um garoto do seu tempo, ligado na cultura pop, e imprime isso em seus filmes, especialmente quando escolhe suas trilhas. Só em Mommy, tem-se cenas lindas e de arrepiar ao som de Wonderwall, do Oasis, e Born To Die, de Lana Del Rey. É dele também a direção do vídeo clipe Hello, de Adele, que obteve um número recorde de visualizações e divulgou seu trabalho a um público mais abrangente.

Em seu mais novo trabalho, A Vida e a Morte de John F. Donovan (2017), o primeiro em língua inglesa, ainda sem estreia prevista, o jovem diretor reúne um grande e estelar elenco, com nomes como Kit Harrington, Jessica Chastain, Natalie Portman, Susan Sarandon, Thandie Newton, Kathy Bates e a participação especial da cantora Adele. Simplesmente imperdível.

Anna Muylaert



Orgulhoso de poder incluir nessa lista uma brasileira, Anna Muylaert, de 52 anos, está sim entre os melhores diretores de cinema, em minha opinião. Tudo começou com Durval Discos (2002), que levou os prêmios de Melhor Filme e Melhor Diretor, no 30° Festival de Cinema de Gramado. Mas foi com seu segundo longa que me encantei: É Proibido Fumar (2009) trazia Glória Pires e Paulo Miklos como protagonistas, um casal inusitado para uma história mais inusitada ainda. A premissa do filme é realmente genial, um toque de Almodóvar pelas talentosas mãos femininas de Anna.

Em 2012 fez um filme quase desconhecido, intitulado Chamada a Cobrar, mas em 2015 viu seu nome ficar internacionalmente conhecido com o primoroso Que Horas Ela Volta?, premiado no Festival de Sundance, nos Estados Unidos e no Festival de Berlim, na Alemanha.

Após o sucesso de Que Horas Ela Volta?, corri pro cinema em 2016 para conferir Mãe Só Há Uma, que não chega a ser tão maravilhoso quanto o filme com Regina Casé, mas discute a identidade de gênero e te deixa com um sorriso nos lábios logo após a última cena.
Glória Pires e Paulo Miklos, em É Proibido Fumar.

Anna é precisa e minuciosa em sua direção, seus filmes tem emoção e reflexão nos mínimos detalhes, até mesmo na forma como ela filma objetos de cena. Se você pensa que o interior de uma geladeira ou uma cadeira não contém nenhuma emoção, é porque não assistiu aos filmes de Anna. Tudo está absolutamente dentro de um contexto e nada escapa ao olhar sensível de sua diretora.

Inteligente, culta e engajada, é impossível não amar Anna Muylaert.

Pedro Almodóvar



E quem pensou que o divo espanhol ficaria de fora, enganou-se. Jamais deixaria de incluí-lo nessa lista. Com 20 filmes no currículo, dos quais assisti apenas metade, somente um não me agradou. Almodóvar é tudo o que já foi dito sobre seus colegas dessa lista e mais um pouco. Aliás, percebo em muitos, fortes influências do espanhol mais amado do cinema.

Amodóvar é original, e todos querem ser originais, logo, é um exemplo a ser seguido. Mas como Almodóvar só há Almodóvar, ele consegue ser polêmico como Lars von Trier, delicado como François Ozon, rebelde como Xavier Dolan e minucioso como Anna Muylaert, mas suas cores ninguém consegue fazer igual, podem até tentar, mas nada fica tão vivo, brilhante e intenso como as cores de Almodóvar.

Profundo em todos os sentidos, na graça e na dor, cada novo trabalho seu é um verdadeiro evento cinematográfico. Pedro Almodóvar expõe todos os nossos sentimentos na tela, até os mais vergonhosos, sem nenhum pudor. Nos chacoalha, dá na nossa cara, nos deixa ruborizados, depois vai embora e nem pede desculpas, ao contrário, nós é que agradecemos, porque ao final de cada evento proporcionado por ele saímos de alma lavada, satisfeitos ou inconformados, mas nunca indiferentes.
Gael Garcia Bernal, em Má Educação.

Nos chocamos com a relação sexual entre um enfermeiro e uma paciente em coma, para logo em seguida nos encantarmos com o encontro desta mesma paciente, já fora do coma, e um homem que acabou de perder seu amor, que também se encontrava em coma, no mesmo hospital da mocinha em questão, no filme Fale Com Ela (2002), vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Somos condescendentes com uma mãe, que após chegar em casa e ver o marido morto a facadas pela filha, que foi abusada pelo padrasto, decide sumir com o corpo, transformando-o em linguiça e preparando-a como iguaria nos pratos de seu bar, no filme Volver (2006).

E o que dizer dos perturbadores A Pele Que Habito (2011) e Má Educação (2004), que tratam de transexualidade e pedofilia respectivamente? Ou Tudo Sobre Minha Mãe (1999) que aborda a paternidade de uma travesti e a AIDS? Ou mesmo Julieta (2016), seu filme mais recente, que faz uma radiografia profunda sobre mágoas, rancores, culpas e maternidade. Um de seus filmes mais leves, mas não menos genial.

Apenas uma palavra para o rei do cinema espanhol: SENSACIONAL!
___

E os seus cineastas preferidos, quem são? Conta pra gente aqui nos comentários.

Leia Também:
Leandro Faria  
Esdras Bailone: leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
FacebookTwitter


0 comentários:

Share