15 de fev de 2017

#PopSéries: Santa Clarita Diet





Para iniciar a coluna do dia, preciso esclarecer que eu não gosto muito de comédias. Apesar de ter acompanhado Glee e gostar de Friends, normalmente não consigo achar muita graça em histórias pautadas no riso fácil e no humor que eu carinhosamente chamo de idiota. Nunca em minha vida consegui rir de filmes como Todo Mundo em Pânico ou Débi & Loide, por exemplo, ou qualquer tipo de paródia. No caso das séries, se tiver claque que me direcione o riso então, tô fora, não consigo acompanhar.

Dito isso, apesar dos comentários positivos, fui assistir a Santa Clarita Diet com os dois pés atrás, pronto para não gostar da série estrelada por Drew Barrymore e Timothy Olyphant. Porque com tantos lançamentos de séries originais da Netflix, não queria perder meu tempo com uma história boba e que eu poderia não gostar. Mas me surpreendi, porque Santa Clarita Diet não é idiota, contando sua história bizarra e surreal com uma pegada maravilhosa de humor negro, nos empolgando com todo o nonsense apresentado em cada um dos dez episódios da série, que vai num crescente louco e absurdo.

Na série, Sheila, personagem de Drew Barrymore, um dia vomita tudo que tem dentro de si, inclusive um "órgão" e, apesar de se sentir mais disposta, sincera e com um apetite sexual incontrolável, ela está morta, virou zumbi. E é como a família de Sheila, formada por Joel (Timothy Olyphant), seu marido, e Abby (Liv Hewson)), a filha, vai lidar com isso que vamos acompanhando nos episódios, recheados de sangue (artificial) e muita besteira e piadas toscas e deliciosas. Além, é claro, de um turbilhão de referências pop lançadas em uma verdadeira metralhadora giratória.

E os atores, nossa, eles fazem a festa com aqueles personagens. A Sheila de Drew Barrymore é inicialmente uma mulher certinha que vai se despindo das convenções sociais assim que vira uma zumbi. E a atriz deita e rola no papel, passando verossimilhança no absurdo, um talento de poucos. Timothy Olyphant, como Joel, reage às loucuras à sua volta de uma maneira tão natural, que é impossível não rir da cara do personagem quando tudo ao ser redor está desmoronando e ele, como os telespectadores, procuram sentido em tudo. Fora o casal adolescente vivido por Liv Hewnson e Skyler Gisondo (o Eric, na série), que é maravilhoso, sendo os dois jovens os mais ~normais~ naquele universo não real. 

Tudo, e eu digo absolutamente tudo, é tão nonsense e surreal em Santa Clarita Diet, que você vai vendo os episódios, rindo feito idiota do humor negro e das mil referências da série e, quando vê, acabou a temporada e você tá como? Xingando a fdp da Netflix por ter feito a temporada terminar daquele jeito, deixando você louco para ver para onde aquela família vai, como aquela história vai terminar. Porque sim, a série tem um final em aberto, com um cliffhanger totalmente maluco, que vai te deixar ansioso para saber quando a segunda temporada estará disponível. 

Ótima estreia da Netflix. Até pra quem não gosta de comédias, como eu.
Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!


0 comentários:

Share