21 de mar de 2017

#PrimeirasImpressões - Feud: Bette and Joan





Ok, agora vamos falar sobre Feud. Eu sei que eu demorei a escrever este post, mas eu queria ver mais episódios dessa série que é um verdadeiro primor, um refinamento ímpar feita pelo homem por trás de Glee, American Horror Story e American Crime Story: Ryan Murphy.

Em Feud vemos os bastidores da produção do clássico O Que Terá Acontecido a Baby Jane, de 1962. Dirigido por Robert Aldrich, o filme já nasceu clássico por ter em seu elenco duas das maiores estrelas de Hollywood que, por sinal, eram rivais e famosas por isso também: Bette Davis e Joan Crawford. Enquanto a primeira era conhecida por desafiar estúdios e possuir um talento superlativo, a segunda era uma boa atriz, mas era mais vista por sua beleza e sensualidade. Divas que já estavam envelhecidas e Hollywood não perdoa isso.

Sendo assim, Murphy teve a ideia genial de criar uma série sobre famosas rivalidades e é isso que Feud retrata, começando em sua primeira temporada com o conflito entre esses dois monstros sagrados. Acertou em cheio em convidar a amiga Jessica Lange, que sempre está por trás de muitos de seus projetos, para personificar Joan Crawford. Lange recria uma mulher patética que criou para si uma personagem e não sabia ser outra coisa. 

Contudo, não deve ter sido fácil escolher uma atriz que pudesse representar aquela que foi com certeza a maior de todas no cinema. Quem poderia ser grande o bastante para ser Bette Davis? E qual atriz teria coragem de fazer isso? Susan Sarandon, claro, e basta apenas um segundo para você esquecer qualquer coisa que ela já tenha feito. Em cima dos detalhes, ela compõe uma mulher voluntariosa, exigente com tudo à sua volta, que sabe muito bem a sua importância dentro do sistema e por isso exige total profissionalismo.


Ambas sabiam do talento uma da outra e a série conta isso muito bem. Sendo assim, mostra como era importante para o estúdio, Warner Bros, que elas continuassem rivais e para isso jogam com o coitado do Robert Aldrich que apenas queria fazer um filme e se manter ativo na indústria fazendo películas de respeito e não filmes de gosto duvidoso que jogavam seu nome na lama. Era salutar que elas estivessem em pé de guerra, afinal, isso manteria o interesse do público.

Então, o que vamos acompanhar, além de uma perfeita reconstituição de época, são todos aqueles mitos a respeito das duas atrizes, e obviamente, muito veneno, glamour e sofisticação de uma época que já não existe, mas que deixou cicatrizes e ainda mostram a dificuldade que ainda permeiam as mulheres. Mesmo poderosas, elas são obrigadas a fazerem concessões. A narrativa, por sinal, é vista pelo olhar de duas mulheres que conheceram de perto os acontecimentos, Olivia de Havilland e Joan Blondell. Os personagens masculinos são todos coadjuvantes e existem apenas como um adorno necessário, são estepes que podem ser descartados a qualquer momento, como bem fez Joan Crawford numa das cenas do segundo episódio.

Aqui vos deixo com a certeza que Feud merecerá todos os prêmios que venha a ser indicada. E se você ainda não viu, corra pra ver. Sabe aquele tipo de série necessária? É bem isso.

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Serginho Tavares  
Serginho Tavares, apreciador de cinema, para ele um lugar mágico e sagrado, de TV e literatura. Adora escrever. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência e com os pés bem firmes na terra.
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