25 de abr de 2017

#PrimeirasImpressões: A Força do Querer





Agora já passado uns bons capítulos, o suficiente para ver que a novela pegou, resolvi escrever este texto. Gosto do trabalho da Glória Perez ,e assim como outros colegas seus, ela estava devendo algo interessante para o combalido horário das nove. Depois do fiasco de A Lei do Amor, era de se esperar algo interessante e isto já era percebido pelas informações acerca da novela.

A Força do Querer tem tudo aquilo que se espera de uma novela. Bons ganchos em cada fim de capítulo, personagens carismáticos, trilha sonora envolvente e cenários bem construídos dentro de uma narrativa que é comum à novelista: trazer a tona assuntos polêmicos que incitam o debate.

Aqui não será diferente e o principal deles tem a ver com personagem Ivana (Carol Duarte), uma moça que a princípio não tem certeza de quem é, mas que mais pra frente deve assumir ser transexual. Glória é hábil em lidar com assuntos que a tradicional família brasileira não gosta. Foi assim em sucessos como Barriga de Aluguel, Explode Coração, O Clone, Caminho das Índias e as inexpressivas América e Salve Jorge.

Mas o ponto de partida de A Força do Querer está mesmo nas suas protagonistas. Primeiro temos Silvana (Lília Cabral), uma mulher rica, casada com o machista Eurico (Humberto Martins fazendo o papel dele mesmo) e que é viciada em jogo para desespero do marido; Joyce (Maria Fernanda Cândido), a fútil mãe de Ivana que trata a filha como uma boneca e não percebe os problemas dentro de casa porque está mais preocupada em aparecer em capas de revista; Bibi (Juliana Paes), possui uma verdadeira adoração pelo marido e acha que por amor vale tudo; Jeiza (Paolla Oliveira), policial que também é lutadora de MMA, decidida e que não leva desaforo pra casa, uma verdadeira fera; e Ritinha (Ísis Valverde), menina humilde que gosta de atiçar os homens.

Sendo assim, as histórias acabam girando todas dentro do universo destas mulheres. Logo no começo da história, um acidente uniu os personagens de Marco Pigossi (Zeca) e Fiuk (Ruy). Anos mais tarde, eles acabam se cruzado novamente por causa da espevitada Ritinha. O núcleo desta história conta com o sempre maravilhoso Tonico Pereira como Seu Abel, pai de Zeca, e Zezé Polessa, mãe de Ritinha. Confesso que já cansei em ver Zezé repetindo esse tipo de papel que ela faz muito bem, mas agora parece estar no piloto automático.

Zeca talvez tivesse contornos mais interessantes se tivesse caído nas mãos de um ator melhor, já que Pigossi usa e abusa de cacoetes para passar a ideia de que é um típico moço do interior do Pará. Fiuk é outro que não ajuda muito na composição de sua personalidade. Apesar disso, ambos não têm atrapalhado a novela, pelo menos não até agora, visto a importância de seus personagens.

Mas como a novela é das mulheres, fica aqui o registro de que suas protagonistas estão mesmo dando conta do recado. Juliana Paes, no primeiro capítulo ao discutir com o então noivo, Caio (Rodrigo Lombardi), mostrou que se tornou uma atriz de mão cheia. Lília Cabral dispensa comentários, ela consegue transformar uma mulher que caminha na lâmina da caricatura numa personagem completamente crível. Também é perceptível que Ísis Valverde foi uma escolha certeira para a personagem e Paolla Oliveira dá conta do recado. E vamos aguardar agora o que virá para Maria Fernanda Cândido quando o mundo perfeito que ela criou para si mesma, ruir.

Outros bons momentos valem o registro, como os diálogos de Eugênio (Dan Stulbach) sobre a necessidade de poder viver a vida que escolheu e que por percalços do destino o levou para outro lugar, e também a presença cativante de Débora Falabella como a pérfida Irene. O envolvimento dos dois deve crescer e pôr fogo na trama.

Claro que como a novela ainda está no começo e algumas histórias ainda nem começaram, mas já aguardo com ansiedade. Como por exemplo a de Nonato (Silvero Pereira), motorista contratado por Eurico que leva uma vida dupla; a derrocada de Bibi que a levará a uma vida criminosa; a entrada na história de Mira (Maria Clara Spinelli); e Cibele (Bruna Linzmeyer) que ao perder o noivo para Ritinha terá chances de crescer na trama.

E se por um lado Glória Perez gostava de fincar os pés fora do Brasil em suas novelas, aqui ela não saiu do Brasil, pelo menos até agora e acho que nem deva sair. O Pará serviu bem neste começo de narrativa, e sendo assim, A Força do Querer pelo que apresentou até agora é Glória Perez em sua melhor forma, tem tido bons momentos e muita capacidade para enfim levantar o horário e apresentar uma história que possa cativar o público. Sucesso ela já faz, mas só o tempo dirá se ela vai se tornar uma daquelas novelas que a gente sentirá saudades quando acabar.

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Serginho Tavares  
Serginho Tavares, apreciador de cinema, para ele um lugar mágico e sagrado, de TV e literatura. Adora escrever. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência e com os pés bem firmes na terra.
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